Grã-Bretanha concede asilo a princesa saudita que cometeu adultério, diz jornal

Uma princesa saudita que teve um filho ilegítimo com um cidadão britânico conseguiu asilo na Grã-Bretanha, informou nesta segunda-feira o jornal The Independent.

Segundo o diário britânico, a Justiça acatou as alegações da mulher, que dizia correr o risco de ser apedrejada até a morte na Arábia Saudita por causa de seu caso extraconjugal.

Ainda de acordo com o Independent, a mulher, que obteve garantia de anonimato da Justiça, é casada com um membro da família real saudita.

Procurado pela BBC, o Ministério da Justiça britânico se recusou a comentar o caso.

Execuções

A princesa teria iniciado seu relacionamento com um britânico não muçulmano durante uma visita a Londres, e engravidado pouco depois.

Depois de dar à luz secretamente na Grã-Bretanha, a princesa teria levado seu caso ao Tribunal de Imigração e Asilo.

Pela lei saudita, o adultério é punível com açoitamento público ou execução.

Segundo o grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, a Arábia Saudita ordenou a execução de 102 pessoas em 2008.

Em 1977, a princesa Mishaal bint Fahd, então com 19 anos, foi executada depois de admitir adultério.

Quando um filme sobre o caso, Death of a Princess, estreou na Grã-Bretanha alguns anos depois, as autoridades sauditas expulsaram do país o embaixador britânico.

De acordo com o Independent, o caso atual envolvendo a princesa saudita e o cidadão britânico é um dos poucos que ambos os países evitam comentar. A reportagem afirma que fazê-lo seria como fazer uma crítica aberta ao regime saudita, o que poderia criar uma disputa diplomática.