Amazônia

Amazônia precisa de um 'Big Brother', diz dono de 'fazenda modelo'

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O modelo de pecuária e agricultura sustentáveis que o fazendeiro Mauro Lúcio Costa adota em suas terras ainda está no campo das exceções na Amazônia.

Em sua fazenda, 80% da área de 4,5 mil hectares ainda é de mata preservada, a produtividade nos pastos é quatro vezes superior à média da Amazônia, reflorestamento e soluções ambientalmente positivas estão por todos os lados, não pesam sobre ele denúncias (ou condenações) de crimes trabalhistas ou ambientais e não há qualquer conflito pela terra.

Não são muitos os grandes fazendeiros da região que podem ostentar uma ficha dessas - por isso, Costa é comumente citado como exemplo, por ambientalistas e técnicos, de como uma fazenda pode funcionar sem destruir a natureza.

"Quando falava disso, oito anos atrás, tinha muita gente dizendo que gado não dava dinheiro suficiente para fazer uma fazenda assim", diz o fazendeiro, presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Paragominas, no sudeste do Pará. "Agora, as coisas mudaram e tem cada vez mais gente percebendo que esse é o caminho."

Sem exemplos

O fazendeiro diz que a nova mentalidade já está chegando a outros agricultores e pecuaristas. Mas tem dificuldades para citar outros bons exemplos específicos de boas práticas ambientais em fazendas da região, que conhece bem.

Gado na fazenda de Mauro Lúcio Costa, na região de Paragominas

Costa diz que lei só vai funcionar se houver monitoramento e fiscalização

"Tem mais gente que está adquirindo essa consciência, mas é um trabalho que demora a surtir resultados na prática. Minha fazenda está assim porque já faz quase dez anos que a sustentabilidade é uma preocupação", afirma.

"Quando nós fomos convidados pelo governo para vir para cá (nos programas de colonização da Amazônia), a ordem era produzir a qualquer custo e desmatar para poder ficar com a terra", acrescenta. "Agora que tudo mudou, queremos o mesmo respeito do governo que tínhamos no passado para que possamos adequar nossas práticas."

Costa apoia a nova lei criada a partir da MP 458, mas diz acredita que ela só vai funcionar se o monitoramento e a fiscalização dos fazendeiros na Amazônia – hoje bastante criticados – forem reforçados.

"Eu acho que a fiscalização vai ser essencial dentro do processo", afirma o fazendeiro. "Ela tem que ser rígida e eu diria que o ideal para nós seria um 'big brother', em que você estaria sendo monitorado 24 horas, online."

"Se tivermos essa consciência, podemos ser os vigias que a Amazônia tem que ter. Eu por exemplo sou: se eu souber de algum vizinho meu, alguma pessoa que está fazendo desmatamento, eu vou denunciá-lo."

Mas Costa reclama que o governo caiu em uma contradição ao determinar que a MP regularizaria terras de, no máximo, 1,5 mil hectares.

"Quando os fazendeiros vieram para a Amazônia, nos anos 80, os lotes para ocupação eram de 3 mil e 4,5 mil hectares. Agora, não faz sentido o governo não regularizar o que ele mesmo prometeu anos atrás."

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