Zelaya inicia novo retorno a Honduras

Image caption Zelaya já tentou retornar ao país depois de sua deposição, em 28 de junho

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, saiu nesta quinta-feira de Manágua, capital da Nicarágua, rumo à fronteira com o território hondurenho, onde pretende chegar na sexta-feira.

Segundo os planos de Zelaya, anunciados na saída de Manágua, ele e uma caravana de apoiadores e alguns membros de sua família devem parar na cidade de Estelí, a 150 quilômetros da capital nicaraguense, antes de tentar atravessar a fronteira de Honduras.

"Vou voltar desarmado e pacificamente, para que Honduras retome a paz e a tranquilidade", afirmou Zelaya em uma entrevista coletiva em Manágua.

De acordo com o colaborador da BBC Mundo em Tegucigalpa Eric Lemus, o clima na capital hondurenha é de "expectativa".

"A capital passou a quinta-feira sem manifestações massivas ou piquetes nos arredores", afirmouLemus.

Essa será a segunda tentativa de Zelaya de voltar a Honduras. No dia 5 de julho, uma semana após sua deposição, ele tentou entrar no país, mas seu avião foi proibido de aterrissar em solo hondurenho.

Acordo

Na quarta-feira, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, principal mediador da crise política em Honduras, entregou uma nova proposta ao governo interino, liderado por Roberto Michelletti, e aos representantes de Zelaya.

Pelo plano, batizado de "Acordo de San José", em referência à capital costarriquenha, Zelaya voltaria à Presidência na sexta-feira, mas não teria poderes de alterar a constituição do país.

Além disso, o plano prevê ainda a formação de um governo de coalizão e a criação de um comitê que monitoraria o cumprimento do acordo.

Uma fonte do governo interino confirmou o recebimento da proposta à BBC Mundo e afirmou que “o documento será lido com cuidado”.

Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores do governo interino de Honduras, Carlos Lopez, já havia afirmado, na quarta-feira, que não há chance de Zelaya voltar à Presidência.

“Essa hipótese de um possível retorno de Zelaya à Presidência está fora de cogitação”, disse Lopez em Tegucigalpa.

A delegação que representa o presidente deposto nas negociações mediadas pela Costa Rica declarou como "fracassada" a proposta apresentada por Arias para tentar resolver a crise política no país.

"O (documento que foi batizado de) Acordo de San José fracassou por causa da intransigência do regime golpista", disse Rixi Moncada, representante de Zelaya, na noite de quarta-feira, na capital costarriquenha.

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras no último dia 28 de junho. Uma tentativa de retornar ao país no início de julho fracassou depois que as autoridades bloquearam a pista de pouso do aeroporto de Tegucigalpa.

A crise política eclodiu depois que Zelaya tentou fazer uma consulta pública para perguntar se os hondurenhos apoiavam suas medidas para mudar a Constituição.

A oposição era contra a proposta de Zelaya de acabar com o atual limite de apenas um mandato por presidente, o que poderia abrir caminho para uma reeleição do atual presidente deposto.

Direitos Humanos

Uma missão internacional de observação sobre a situação dos direitos humanos em Honduras revelou, nesta quinta-feira, “a perplexidade pela atitude em apoio ao golpe de Estado mantida por alta hierarquia católica e representantes de algumas igrejas evangélicas”.

A missão, formada por organizações europeias e da América Latina, denunciou a morte de pelo menos cinco pessoas, o desaparecimento forçado e a vulnerabilidade da integridade das pessoas opostas ao governo presidido por Roberto Michelletti.

Enrique Santiago, representante da Federação de Associações de Defesa e Promoção de Direitos Humanos da Espanha, disse à BBC Mundo que “muitos meios de comunicação apresentaram uma posição antidemocrática, com uma violação completa de todos os códigos de ética”.

Martin Wolper, que integra a missão humanitária, pediu que a comunidade internacional “endureça as medidas contra o regime golpista”.