Juiz obriga advogadas a vestir véu islâmico em Gaza

Véu tradicional
Image caption Na prática, decisão deve afetar poucas advogadas que atuam em Gaza

O mais alto magistrado da Faixa de Gaza, o líder da Suprema Corte, Abdul-Raouf Halabi, determinou neste domingo que todas as advogadas que atuam no território são obrigadas a usar véus (hijab) e trajes tradicionais (jibab) em tribunal a partir de setembro.

A decisão está sendo vista como um sinal de que o grupo ativista islâmico Hamas – que controla Gaza – está aos poucos impondo as suas rígidas regras para os moradores da região.

O grupo, no entanto, nega ter este objetivo.

A maior parte das advogadas que atuam em Gaza já usava o véu de qualquer jeito, mas o Centro Palestino para Direitos Humanos (CPDH), com sede no território, criticou a medida, afirmando que ela fere os direitos individuais e das mulheres.

Em um documento divulgado no website da organização de direitos humanos, o CPDH afirma que a decisão fere a Lei Básica Palestina de 2003 e o Estatuto de Vestuário de Advogados de 1930.

O comunicado enuncia sete pontos que supostamente estariam sendo violados pela decisão.

Halabi, por sua vez, afirma que a regra foi criada para garantir que mulheres se vistam de acordo com a lei islâmica, que exige que mulheres cubram os cabelos em público e usem roupas folgadas que deixem apenas mãos e rostos à mostra.

O Hamas tomou o poder em Gaza em junho de 2007 e, na época, disse que não obrigaria a população a adotar os seus valores conservadores. No entanto, nos últimos meses, várias medidas parecem estar radicalizando o território.

A polícia vem pressionando comerciantes a cobrir "corpos" de manequins em vitrines, e nas praias, homens vêm sendo advertidos para vestirem mais roupas.

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