Confrontos deixam pelo menos 39 mortos na Nigéria

Um confronto armado entre forças de segurança e um grupo radical islâmico no nordeste da Nigéria deixou pelo menos 39 mortos neste domingo, segundo autoridades do país.

O tiroteio, na cidade de Bauchi, começou com o ataque de um grupo de dezenas de extremistas, armados com fuzis e granadas, a uma delegacia de polícia.

Os policiais teriam conseguido repelir o ataque e então revidaram com uma incursão ao um assentamento nos limites da cidade.

De acordo com o governo nigeriano, o grupo pertence à organização Boko Haram, que defende a imposição da lei islâmica, a Sharia, na Nigéria.

No Estado de Bauchi, a lei já vigora desde 2001.

Depois dos confrontos, foi decretado toque de recolher na cidade de Bauchi, e militares controlam as principais estradas de acesso à área, de acordo com a correspondente da BBC na Nigéria Caroline Duffield.

Testemunhas afirmam ter contado cinco corpos, depois do ataque à delegacia.

No entanto, a retaliação da polícia ao assentamento teria deixado muito mais mortos por tiros, com outras dezenas de feridos.

As estimativas chegam a até 50 mortes.

'Sob controle'

O porta-voz da polícia, Mohammed Barau, disse que a situação está sob controle e que mais de 150 pessoas foram detidas.

Um dos integrantes do grupo radical, que se identificou como Abdullah, disse à agência de notícias Reuters que o ataque foi movido pela insatisfação do grupo com a perseguição do governo aos seus líderes.

Ele afirmou ainda que os militantes querem "limpar o sistema, que está poluído pela educação ocidental e instalar a Sharia em todo o país."

O nome do grupo, Boko Haram, significa na língua local, hausa, "educação ocidental proibida".

Testemunhas em Bauchi afirmam que o grupo é uma seita muçulmana que vem recrutando jovens há meses, segundo Duffield.

Os seguidores do grupo são descritos como "conservadores e rigorosos" e não costumam se misturar com o resto da população, além de se opor à educação e à cultura ocidentais e à ciência.

A polícia afirma ter prendido integrantes do grupo depois de uma investigação sobre a suposta compra de armas.

Um arsenal teria sido apreendido, incluindo armas de caça, bestas, facões e uniformes do Exército, apresentados pela autoridades neste domingo.

Em fevereiro, Bauchi já tinha sido palco de confrontos entre muçulmanos e cristãos, nos quais quatro pessoas morreram.

A população nigeriana de cerca de 140 milhões de pessoas é praticamente dividida pela metade entre seguidores das duas religiões, que costumam conviver em paz.