Irã liberta 140 oposicionistas detidos após eleições

Recentes protestos em Teerã (9 de julho)
Image caption Milhares de manifestantes foram detidos no Irã desde as eleições

Cerca de 140 iranianos detidos durante os protestos contra os resultados das eleições presidenciais de junho, que resultaram na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foram libertados nesta terça-feira da prisão de Evin, a principal da capital, Teerã.

A decisão foi anunciada após a visita de uma comissão parlamentar ao centro de detenção.

Segundo as autoridades do país, cerca de outros 200 detidos, acusados de crimes mais sérios, continuam presos em Evin.

"Os que foram libertados cometeram crimes mais leves", afirmou o porta-voz do Comitê Parlamentar para Segurança Nacional e Política Exterior, Kazem Jalali.

O porta-voz acrescentou que nenhuma figura política conhecida está entre os beneficiados.

Jalali disse que 150 pessoas que ainda estão presas são suspeitas de portarem armas e bombas e de vandalizarem propriedade pública durante o protesto, segundo agência de notícias iraniana semi-oficial Fars.

Outros 50 prisioneiros foram descritos por autoridades do Judiciário como "agentes de agitação e alguns deles eram membros de grupos antirrevolucionários", disse Jalali à Fars. Estes 200 casos ainda estão sendo investigados.

Os que apoiam os manifestantes afirmam, no entanto, que o número verdadeiro de pessoas detidas desde as eleições presidenciais de 12 de junho é bem mais alto, possivelmente ainda milhares.

Mortos

As autoridades iranianas também revisaram nesta terça-feira o número de mortos durante os protestos, que passou de 20 para 30 pessoas.

Mas, os partidários da oposição também questionam este número e afirmam que o número de mortos durante os protestos está mais próximo de 100 pessoas.

Image caption Mousavi queria que seus partidários se reunissem para homenagear mortos em protestos

A agência de notícias Fars também informou que os candidatos de oposição à presidência do Irã, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, pediram permissão para realizar uma manifestação em homenagem aos mortos nos protestos na quinta-feira, mas a permissão foi negada pelo Ministério do Interior.

Khamenei

Ex-prisioneiros políticos, como jornalistas e blogueiros, reclamam de desrespeito aos direitos humanos na prisão de Evin. Há denúncias de casos de confinamento solitário e uso de táticas brutais de interrogatório e até mesmo tortura.

Nos últimos dias a oposição iraniana denunciou novas mortes de manifestantes na prisão quase todos os dias.

Um dos mortos foi o filho de Abdulhossein Rouhalamini, que é assistente próximo de um dos candidatos de oposição nas últimas eleições presidenciais, Mohsen Rezai.

A libertação dos detidos em Evin ocorreu num momento em que o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, ordenou o fechamento de outro centro de detenção de Teerã no qual manifestantes oposicionistas eram mantidos.

A decisão teria sido tomada devido ao fato de os administradores do local, o centro de Kahrizak, não terem preservado os direitos dos detidos.

O líder do judiciário do Irã ordenou a revisão de todos os casos dos que estão mantidos na prisão desde as eleições no país, e o Comitê Parlamentar para Segurança Nacional e Política Exterior investiga as detenções.

Ainda não está claro se os detentos do centro foram libertados ou transferidos para outro centro.

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