Brasil pede 'transparência' da Colômbia sobre acordo militar com EUA

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim
Image caption Amorim sugeriu discussão profunda para 'recriar confiança' entre os dois países

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira, em Brasília, que a Colômbia deveria ser mais “transparente” sobre o acordo militar com os Estados Unidos, que está em processo de negociação.

“Eu acho, pessoalmente, que se há uma preocupação sobre o novo acordo militar da Colômbia com os Estados Unidos, seria bom - e eu disse isso ao chanceler colombiano - seria bom que a Colômbia diga transparentemente o que é”, disse o chanceler brasileiro.

O acordo, que poderá transformar a Colômbia no principal reduto das operações americanas na América do Sul, tem sido criticado sobretudo pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A parceria entre colombianos e americanos é apontada, inclusive, como um dos motivos que levaram a Venezuela a suspender suas relações com a Colômbia, nesta terça-feira.

Em um comunicado transmitido em rede nacional de televisão, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou a retirada do embaixador e de outros diplomatas venezuelanos da Colômbia e suspendeu as relações diplomáticas com Bogotá após uma acusação, pelo governo colombiano, de um suposto desvio de armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Leia na BBC Brasil: Chávez ordena retirada de embaixador e suspende relações com a Colômbia

Confiança

Na avaliação de Amorim, uma discussão mais profunda sobre o acordo militar poderia ajudar a “recriar a confiança” entre os dois países, “como já foi recriada outras vezes”, disse.

O ministro disse que ainda não conseguiu conversar com seus colegas de Venezuela e Colômbia, mas que, de uma forma geral, “o Brasil sempre trabalhou para a reconciliação entre os dois países”.

“São amigos nossos, ambos têm boas relações com o Brasil”, acrescentou.

Tensão

As tensões entre Caracas e Bogotá aumentaram de maneira significativa nas últimas semanas, principalmente depois do anúncio, feito pelo governo colombiano, do possível acordo com os Estados Unidos sobre o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

O acordo prevê a entrega das instalações de pelo menos três bases aéreas na Colômbia ao Exército dos EUA, o que facilitaria as operações contra o terrorismo e a produção de drogas.

A Colômbia já é um dos principais beneficiários da ajuda militar dos EUA na região.

As negociações para o novo acordo foram iniciadas depois que o Exército americano devolveu as instalações da base militar de Manta ao governo do Equador. A base servia como o centro das operações dos EUA na região há pelo menos uma década.

Além do possível acordo militar, a tensão se intensificou na segunda-feira, depois da afirmação, feita pelo governo colombiano, de que havia capturado armas usadas por guerrilheiros das Farc e que os armamentos haviam sido produzidos na Suécia e vendidos à Venezuela na década de 1980.

A existência destas armas nas mãos da guerrilha poderia ser interpretada como um indício de eventuais vínculos entre as Farc e o governo de Hugo Chávez.

O governo sueco pediu explicações a Caracas sobre como as armas, que incluem lançadores de foguetes, foram parar nas mãos dos rebeldes da guerrilha.

Como resposta, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, afirmou que existe uma campanha “suja e vulgar” contra seu país que pretende justificar o possível acordo entre Colômbia e Estados Unidos.

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