Acusados de matar atleta lésbica são julgados na África do Sul

Vítima de estupro (mãos)
Image caption África do Sul é um dos países com maior número de estupros no mundo

O julgamento de três homens acusados de estuprar e matar uma jogadora de futebol sul-africana começa nesta quarta-feira.

A jogadora Eudy Simelane jogava na seleção da África do Sul. Ela era uma das lésbicas mais famosas da África do Sul.

O corpo de Simelane foi encontrado em abril do ano passado em um fosso próximo à sua casa. Ela foi estuprada por vários homens, espancada e esfaqueada 20 vezes no rosto, nas pernas e no peito.

Em fevereiro, um homem declarou-se culpado pelo assassinato. Outros três negaram as acusações e agora estão sendo julgados em Delmas Mpumalanga, uma pequena cidade próxima a Johanesburgo.

Ativistas em favor dos direitos de gays reuniram-se em frente ao tribunal nesta quarta-feira. Eles afirmam que Simelane foi alvo do ataque justamente por causa de sua orientação sexual.

A África do Sul é um dos países com o maior número de estupros no mundo. Segundo o correspondente da BBC na África do Sul Jonah Fischer, em uma pesquisa recente, um em cada quatro homens admitiu ter forçado alguma mulher a fazer sexo.

Os crimes homofóbicos também são um problema grave na África do Sul. Trinta e uma mulheres lésbicas já foram estupradas e mortas desde 1998 em ataques considerados homofóbicos.

Segundo a ONG Triangle, que defende direitos de homossexuais, apenas dois casos de estupro chegaram foram aos tribunais, e só em um houve condenação do acusado.

A entidade também diz que recebe três acusações por semana de "estupro correcional", termo usado para descrever estupros a mulheres lésbicas geralmente com o objetivo de puni-las ou de "corrigir" a sua orientação sexual.

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