Justiça britânica volta a analisar pedido de libertação de Ronald Biggs

Ronald Biggs (arquivo)
Image caption Biggs está internado em hospital da Inglaterra com uma fratura

Autoridades da Grã-Bretanha estão analisando um novo pedido de libertação do ladrão britânico Ronald Biggs.

Biggs que em 1963 participou de um assalto a um trem, foi preso, fugiu da prisão e viveu foragido no Brasil por cerca de 30 anos. Ele se entregou à Justiça britânica em 2001.

Um porta-voz do Serviço de Prisões da Grã-Bretanha confirmou o recebimento do pedido.

"Podemos confirmar que recebemos um pedido pela libertação antecipada por razões de piedade de um prisioneiro da prisão de Norwich."

"Tentamos processar todos os pedidos o mais rapidamente possível e cada um é cuidadosamente analisado em seus méritos em relação aos critérios vigentes", disse o porta-voz.

Ronald Biggs foi internado novamente na terça-feira, desta vez com pneumonia grave.

Biggs, de 79 anos, foi levado para o Hospital da Universidade de Norwich, no leste da Inglaterra. O filho dele, Michael Biggs, que fez sucesso no Brasil há mais de 20 anos como o Mike do grupo infantil Turma do Balão Mágico, afirmou que o estado de saúde do pai piorou.

"Ele está pior do que nunca. Os médicos me disseram para correr para lá", disse.

No mês passado, Biggs foi internado no mesmo hospital por causa de uma fratura e uma infecção e voltou para a prisão no dia 17 de julho. Biggs já tinha sido internado várias vezes antes do mês passado.

Análise do Ministério

De acordo com o jornal britânico Daily Telegraph os advogados de Biggs entraram com o novo pedido depois desta última internação.

Já o jornal Daily Mail, informou que os advogados de Biggs alegaram que ele apenas tem poucas semanas de vida, depois dos vários problemas de saúde que ele enfrenta.

O Ministério da Justiça britânico agora está analisando o pedido e, se os médicos concordarem que Biggs pode morrer dentro de três meses, então o caso será levado ao ministro da Justiça Jack Straw, afirmou o Daily Mail.

O Parole Board of England and Scotland, órgão britânico que analisa pedidos de liberdade condicional, já tinha feito um pedido pela libertação de Ronald Biggs.

Mas, o ministro Straw recusou a liberdade condicional no começo de julho. Ele afirmou que Biggs "não demonstrou arrependimento nenhum" por suas ações e "buscou escandalosamente a (cobertura da) imprensa".

Foto para parlamentares

O advogado de Ronald Biggs, Giovanni Di Stefano, enviou a parlamentares britânicos uma foto do ladrão em uma cama de hospital há várias semanas.

A família de Biggs afirma que sua vida está em risco, pois ele sofre de pneumonia e já fraturou o quadril, a bacia e a espinha. Segundo os parentes, ele também já sofreu três derrames e não consegue comer, falar ou andar.

Ronald Biggs, um dos 15 assaltantes que participaram do crime em 1963, completa 80 anos no dia 8 de agosto.

A data também marca o 46º aniversário do assalto ao trem pagador, que viajava de Glasgow a Londres, do qual foram levados 2,6 milhões de libras.

Pelo assalto, Biggs foi preso e condenado na Grã-Bretanha a 30 anos de prisão, mas conseguiu fugir da penitenciária de Wandsworth, em Londres, em um caminhão de mudanças após ter cumprido apenas 15 meses da sentença.

O ladrão passou 30 anos foragido na Austrália, Espanha e Brasil, mas resolveu voltar à Grã-Bretanha voluntariamente em 2001 para tratar de sua saúde. Ele foi preso novamente ao chegar.

Ao dar suas razões para não conceder a liberdade condicional, Straw afirmou que é "inaceitável" que Biggs tenha escolhido não respeitar a lei e tentado evitar as consequências de sua decisão.

Straw acrescentou que Ronald Biggs já poderia ser um homem livre "há muitos anos" se tivesse cumprido a sentença.

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