Governo interino de Honduras quer iniciar diálogo no país para solucionar crise

Roberto Micheletti. Foto: AFP
Image caption Micheletti disse que a abertura para o diálogo é a resposta à proposta da Costa Rica

O governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, afirmou que quer o início de um diálogo dentro do país para resolver a crise política causada a partir da deposição do presidente, Manuel Zelaya, em 28 de junho.

Micheletti pediu ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, principal mediador da crise, a nomeação de um enviado especial para Honduras para “cooperar com o início de um diálogo no país”.

O governo interino afirmou ainda que as novas negociações constituem uma resposta a proposta de acordo feito por Arias.

O assessor de Micheletti, Enrique Ortez Colindres, disse à BBC Mundo que o diálogo incluiria representantes de todos os setores hondurenhos “para que eles também opinem”.

Colindres afirmou ainda que o objetivo das novas conversas seriam somente “escutar as posições distintas”.

“Não são apenas as conversas que vão oferecer uma saída ao povo, mas as eleições em novembro”, disse.

O assessor afirmou ainda que Micheletti deseja incluir no diálogo “pessoas de prestígio na região” e citou o nome do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Inglesias.

Segundo Colindres, não há prazo para o fim do novo diálogo.

“Estamos a 150 dias das eleições. Micheletti está disposto a entregar a presidência a um sucessor eleito”, afirmou.

‘Papel chave

Aparentemente cedendo às pressões dos Estados Unidos, Micheletti afirmou, nesta quinta-feira, que muitos hondurenhos poderiam ter um papel chave na busca de uma solução para crise no país.

Apesar disso, o governo interino mantém firme sua posição contra o regresso de Zelaya ao poder – um dos pontos do acordo apresentado pela Costa Rica.

“Não há a mínima possibilidade de que Zelaya volte a Honduras, nenhuma chance de acordo nesse sentido. Nossas posições são completamente opostas”, afirmou à BBC Mundo Ortiz Colindres.

Ostracismo

Além do retorno de Zelaya a Honduras, a proposta de acordo feita por Oscar Arias contempla ainda a formação de um governo de coalizão e a antecipação das eleições presidenciais, agendadas para novembro.

Arias fala sobre a ameaça de “ostracismo” que pesa sobre o governo interino liderado por Micheletti, caso continue resistindo à pressão internacional e ao isolamento da comunidade internacional.

O governo interino de Honduras não foi reconhecido por nenhum país do mundo.

Nesta semana, o governo dos Estados Unidos revocou quatro vistos diplomáticos de funcionários do governo de Micheletti como parte das medidas para pressionar o retorno de Zelaya ao poder.