Militares colombianos são condenados por execuções extrajudiciais

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (foto de arquivo)
Image caption Escândalo de execuções atraiu críticas para governo de Álvaro Uribe

Quinze militares colombianos foram condenados à prisão por envolvimento em execuções extrajudiciais de civis, que posteriormente foram apresentados como rebeldes mortos em combates.

Dez soldados da 4ª Brigada, baseada na cidade de Medellín, receberam neste sábado pena de 30 anos pelo assassinato de dois funcionários de um restaurante em maio de 2006. Os corpos dos dois homens foram apresentados um dia depois como sendo de rebeldes mortos em confronto com as forças de segurança.

O juiz do tribunal de Medellín condenou outros cinco soldados a quatro anos de prisão por ter acobertado detalhes do episódio.

Segundo o correspondente da BBC em Medellín, Jeremy McDermott, a prática de execuções extrajudiciais é ampla no país e é usada pelas forças de segurança para inflar as estatísticas de combate a grupos rebeldes e cartéis de tráfico de drogas.

Investigação

De acordo com McDermott, o Ministério Público da Colômbia investiga mais de mil casos do tipo. Investigadores afirmam que o número de vítimas civis pode passar de 1,5 mil, e novos casos são reportados a cada dia.

A maioria das vítimas, diz o correspondente da BBC, vem de famílias pobres e muitos foram atraídos para a morte por meio de falsas promessas de emprego.

McDermott afirma que o escândalo das execuções extrajudiciais e de abusos por parte das forças de segurança desencadeou uma série de críticas de organizações de direitos humanos à chamada política de Segurança Democrática do governo do presidente Álvaro Uribe.

No entanto, o governo colombiano afirma que a prática não é mais realizada e que o sucesso das operações de combate a rebeldes e traficantes não é mais medido pelo número de corpos, diz McDermott.

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