Roubo de petróleo dá prejuízo milionário a estatal mexicana

Petróleo da Pemex
Image caption Polícia suspeita que petróleo roubado da Pemex foi exportado para os EUA

O governo mexicano admitiu nesta segunda-feira que o crime organizado está utilizando tecnologias cada vez mais sofisticadas para roubar combustível da rede de dutos da estatal de petróleo Pemex.

A secretária de Energia do México, Georgina Kessel, disse que o combate ao roubo de combustível "toma tempo, grandes recursos e tecnologia" do governo.

Segundo a Pemex, o problema já causou prejuízos de cerca de US$ 700 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) em 2008. Só no primeiro semestre deste ano, o roubo de combustível teria aumentado em 10%.

As autoridades mexicanas estão investigando a existência de uma suposta rede de funcionários públicos que facilita o desvio ilegal de derivados de petróleo.

Exportação para EUA

Na semana passada, agentes policiais assumiram controle de um escritório que cuida da segurança da Pemex, confiscando computadores e documentos.

A Pemex reconheceu que as investigações mostraram que "lamentavelmente pode haver cumplicidade" de alguns funcionários da empresa.

O roubo de gasolina e diesel direto dos oleodutos é razoavelmente comum, mas agora o petróleo cru também virou alvo dos criminosos. O produto é submetido a um processo clandestino de refinamento e vendido no mercado negro.

As autoridades também estão investigando a suposta exportação do petróleo cru roubado ao mercado americano através de uma complexa rede de transportadoras e de empregados da Pemex. O petróleo estaria sendo refinado no Estado americano do Texas.

O presidente do México, Felipe Calderón, sinalizou que a empresa tem "um enorme sangramento derivado da ação do crime organizado".

Para o especialista do mercado de petróleo David Shields, o caso é grave porque o Estado não tem controle da cadeia de transporte e distribuição de gasolina e combustíveis líquidos.

A Pemex vem tentando demonstrar que agiu energicamente contra o crime. Em uma nota, a empresa anunciou o aumento no controle dos contratos, a vigilância das rotas de transporte e a criação de postos móveis para acompanhar o destino dos produtos.

As medidas teriam ajudado a descobrir 19 grupos ilegais, que atuavam em Estados como Veracruz, Nuevo León e Valle de México.

Segundo o jornal Milenio, 17 investigações de roubo de combustível levaram a condenações na Justiça, mas 340 casos foram encerrados sem punições, de 2005 até hoje.

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