Condenação de ativista em Mianmar gera protestos da comunidade internacional

Partidário de Suu Kyi protestya contra condenação de ativista no Japão (AFP, 11 de agosto)
Image caption União Europeia ameaçou Mianmar com mais sanções econômicas

A condenação da líder da oposição em Mianmar, Aung San Suu Kyi, a 18 meses adicionais de prisão domiciliar, nesta terça-feira, gerou protestos da comunidade internacional e fez com que a União Europeia prometesse reforçar as sanções já existentes contra o regime do país asiático.

Em um comunicado publicado após a divulgação do veredicto, nesta terça-feira, a Presidência rotativa da União Europeia – ocupada atualmente pela Suécia – expressou sua condenação ao que classificou como "julgamento injustificado" de Suu Kyi e pediu a "libertação incondicional e imediata" da ativista, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1991 e passou 14 dos últimos 20 anos detida.

"A União Europeia responderá com medidas adicionais contra os responsáveis por este veredicto. Além disso, a União Europeia irá reforçar as medidas restritivas contra o regime de Mianmar, incluindo (as que dizem respeito) a interesses econômicos. A UE enfatiza que está pronta para revisar, emendar ou reforçar suas ações à luz dos acontecimentos em Mianmar", diz o comunicado.

Em resposta ao veredicto, o governo da França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para terça-feira, pouco depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ter divulgado um comunicado em que afirma estar "desapontado" com a condenação de Suu Kyi.

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"O secretário-geral lastima de modo veemente esta decisão e pede que o governo (de Mianmar) liberte imediatamente e incondicionalmente Aung San Suu Kyi", diz o comunicado.

O secretário-geral das Nações Unidas também expressou preocupação com o fato de a sentença de prisão domiciliar impedir a participação de Suu Kyi nas eleições de 2010 em Mianmar.

"A menos que ela e outros prisioneiros políticos em Mianmar sejam libertados e autorizados a participar de eleições livres e justas, a credibilidade do processo político (no país) continuará sob suspeita", afirmou.

Estados Unidos

A ativista foi condenada por um tribunal de Yangun por ter violado as regras da prisão domiciliar, ao permitir que um americano, John Yettaw, entrasse em sua casa em maio passado.

O governo dos Estados Unidos também expressou sua condenação à sentença.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que Suu Kyi "não deveria ter sido julgada nem condenada" e pediu que a junta militar que governa Mianmar "acabe com a repressão e comece um diálogo com a oposição e grupos étnicos".

"Também pedimos pela libertação dos mais de 2 mil presos políticos (de Mianmar), incluindo o americano John Yettaw. Estamos preocupados com a sentença cruel imposta a ele, especialmente devido a suas condições médicas", disse Hillary durante visita à República Democrática do Congo.

Resposta asiática

A sentença de prisão domiciliar anterior de Suu Kyi expirou no último dia 27 de maio. A nova condenação fará com que ela ainda esteja detida durante as eleições em Mianmar, que estão marcadas para maio do ano que vem.

O partido da ativista, a Liga Nacional pela Democracia, venceu a última eleição no país em 1990, mas nunca conseguiu assumir o poder.

Na Ásia, os governos das Indonésia e das Filipinas também condenaram a sentença contra Suu Kyi.

De acordo com a correspondente da BBC no sul da Ásia, Jill McGivering, no entanto, os governos de Índia e China, os maiores parceiros comerciais de Mianmar, evitaram fazer comentários públicos sobre a condenação.

Os dois países e a Tailândia têm sido acusados de apoiar o governo militar de Mianmar, especialmente depois de os países ocidentais terem adotado sanções econômicas contra o regime.

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