Tailândia nega extradição de 'Mercador da Morte' para os EUA

O russo Viktor Bout após divulgação do veredicto desta terça-feira (AFP)
Image caption Bout é acusado de fornecer armamentos para as Farc

Um juiz da Tailândia rejeitou, nesta terça-feira, um pedido do governo dos Estados Unidos para a extradição de Viktor Bout, um suposto traficante de armas russo conhecido como “Mercador da Morte”.

Bout, que foi preso em Bangcoc em março de 2008, após uma operação conjunta de forças tailandesas e americanas, é acusado pelos Estados Unidos de fornecer armas para o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Mas o juiz Jitakorn Patanasiri, de um tribunal criminal de Bangcoc, concluiu que o caso contra Bout é político, não criminal, e por isso negou a extradição na decisão desta terça-feira.

“As acusações dos Estados Unidos não são aplicáveis sob a lei tailandesa. Este é um caso político. As Farc são um grupo que luta por uma causa política, e não uma organização criminosa. A Tailândia não considera as Farc um grupo terrorista”, diz o veredicto.

Acusações

Com a decisão, o governo dos Estados Unidos tem agora 72 horas para apelar contra o veredicto. Durante este período, Bout, que tem 42 anos, continuará preso.

Viktor Bout é acusado por agências da Organização das Nações Unidas e governos ocidentais de fornecer armas para ditadores e milicianos na África e para a Al-Qaeda e o Talebã.

Nos Estados Unidos, ele é acusado de conspiração para assassinar cidadãos americanos, para dar apoio material a terroristas e para adquirir e utilizar mísseis antiaéreos.

Ele pode ser condenado à prisão perpétua caso seja julgado em um tribunal americano.