América Latina

Zelaya diz esperar 'mais' dos EUA e recebe apoio de Lula

Manuel Zelaya e Luiz Inácio Lula da Silva

Lula teria se comprometido em falar com Obama sobre as sanções

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta quarta-feira, em Brasília, que os Estados Unidos podem fazer “mais” para evitar que o governo interino hondurenho permaneça no poder.

“Honduras está sob uma ditadura. Os Estados Unidos têm que ser mais firmes para reverter esse processo de golpe de estado”, disse o hondurenho, logo depois de uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Zelaya tem visitado países da região em busca de apoio para que os Estados Unidos adotem medidas mais contundentes contra o governo interino liderado por Roberto Micheletti, que assumiu o poder em Honduras no dia 28 de junho.

Entre as medidas sugeridas estão, principalmente, sanções comerciais ao país latino-americano.

Cerca de 70% da economia de Honduras está de alguma forma ligada aos Estados Unidos. A avaliação do grupo de Zelaya é de que seus opositores não resistiriam à interrupção das relações comerciais com os americanos.

O governo brasileiro também concorda com a estratégia de “sufoco comercial” ao governo interino. De acordo com uma fonte do Palácio do Planalto, o presidente Lula teria se comprometido a conversar, por telefone, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reforçar a importância das sanções.

Zelaya disse aos jornalistas que pretende continuar com medidas diplomáticas e políticas e que espera não usar “outros meios” para voltar ao poder.

O presidente deposto disse ainda que recebeu um convite da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, para uma visita ao país, mas que a data ainda não foi acertada.

"Provavelmente na próxima semana", disse.

Legitimidade

Além de uma participação mais firme do presidente Obama, Zelaya disse também que está conversando com presidentes da região em busca de respaldo para uma nova resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) que desconheça as eleições de novembro – caso aconteçam sob um “estado ilegal”.

Uma medida como essa, no âmbito da OEA, daria maior peso ao processo de restituição de Zelaya ao poder, de acordo com o governo brasileiro.

“As ações devem ser conduzidas através da OEA porque, neste caso, dá legitimidade e, aliás, é o que faz com que o pedido de ação dos Estados Unidos não tenha nada a ver com intervenção”, disse o ministro Amorim.

“É preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro e quem pode dizer isso com todas as letras para eles são os Estados Unidos, que têm maior influência direta”, acrescentou o chanceler

Ainda de acordo com Amorim, o presidente Lula se dispôs a falar diretamente com o presidente Obama sobre o assunto.

Com isso, o presidente Lula passa a ter dois assuntos pendentes com Obama. Na segunda-feira, em Quito, Lula prometeu conversar com seu colega americano, por telefone, sobre a sugestão de um encontro com países da América do Sul para discutirem a presença militar americana na Colômbia.

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