Colômbia anuncia ter concluído negociação com EUA sobre acordo militar

Alvaro Uribe e Barack Obama
Image caption Relações entre Colômbia e EUA geraram críticas na América Latina

O ministério das Relações Exteriores da Colômbia anunciou, nesta sexta-feira, que encerrou as negociações e fechou os detalhes do polêmico acordo cooperação militar com os Estados Unidos.

“O governo da Colômbia se permite informar que no dia de hoje se encerraram as negociações do acordo em Matéria de Cooperação e Assitência Técnica em Defesa e Segurança entre os governo da Colômbia e dos Estados Unidos”, diz um comunicado publicado no site do Ministério.

O governo informou ainda que o texto do acordo passará agora por uma revisão pelas instâncias governamentais de cada país para depois ser assinado.

"Este acordo reafirma o empenho das partes na luta contra o tráfico de drogas e terrorismo", diz a nota.

A assinatura do acordo está prevista para este domingo, 16 de agosto.

O acordo militar poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

Polêmica

Vários países sul-americanos condenaram o acordo. Preocupados, os presidentes da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) quebraram o protocolo e discutiram abertamente durante a cúpula do grupo nesta semana, em Quito, o que alguns classificaram como a "ameaça" representada pela presença de efetivos militares americanos na região.

Após uma sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes também concordaram com a realização de uma reunião emergencial com a presença do governo dos Estados Unidos para discutir a questão.

Em um discurso enfático, que não estava previsto na programação do encontro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que "ventos de guerra sopram na região" e que, se sofrer algum tipo de agressão, seu governo responderá de forma "militar e contundente".

Chávez e o presidente da Bolívia, Evo Morales alertaram que a presença americana na Colômbia poderia gerar um conflito militar.

A Venezuela rompeu ligações diplomáticas com a Colômbia e disse que a única forma de reatá-las seria se o país desistisse do acordo militar com os Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as bases "não agradam" o governo brasileiro, mas adotou um discurso apaziguador e sugeriu que o assunto seja discutido "abertamente", inclusive com os Estados Unidos. Segundo Lula, a questão tem que ser resolvida com "muita conversa".

Na última quinta-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, encerrou um giro por sete países da América do Sul, inclusive o Brasil, em que apresentou aos colegas presidentes seu ponto-de-vista sobre o acordo militar com os Estados Unidos.

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