Campanha eleitoral afegã chega ao fim à sombra da ameaça do Talebã

Último comício de Abdullah Abdullah em Cabul
Image caption Principais candidatos fizeram seus últimos comícios nesta segunda

A campanha para as eleições presidenciais desta semana no Afeganistão chega ao fim nesta segunda-feira à sombra das ameaças à votação feitas pelo Talebã.

O grupo radical islâmico, que governou o país de 1996 até 2001, quando foi derrubado pela invasão militar liderada pelos Estados Unidos, anunciou um boicote à eleição e prometeu atrapalhar a votação.

No domingo, folhetos atribuídos ao Talebã foram distribuídos pelo sul do país ameaçando atacar locais de votação durante o pleito da quinta-feira.

Nas últimas semanas, o Talebã vem intensificando suas ações. No sábado, um atentado com um carro-bomba atribuído ao grupo matou sete pessoas em frente à sede da Otan em Cabul, numa das áreas consideradas mais seguras e protegidas da capital.

O atentado do sábado foi o primeiro de grandes proporções na capital desde fevereiro, quando atiradores armados invadiram o Ministério da Justiça.

Segurança

Cerca de 200 mil soldados e policiais das forças afegãs de segurança, além de 100 mil soldados da Otan, trabalharão para tentar garantir a segurança dos postos de votação na quinta-feira.

Mas apesar do reforço, autoridades eleitorais afegãs dizem temer pela segurança da votação e estimam que até 12% das 7 mil seções eleitorais têm sua abertura ameaçada por causa da violência.

“Nossa preocupação maior é com a segurança. Estamos coordenando com as agências de segurança afegãs e fazendo o melhor para abrir o maior número de seções possível”, afirmou nesta segunda-feira Zekria Barakzai, vice-diretor da Comissão Eleitoral Independente.

“Saberemos o número exato das seções que poderemos abrir somente no dia da votação, não antes disso”, disse.

Segundo ele, os locais de votação somente serão abertos se tiverem um número suficiente de soldados e policiais na segurança. “Ter líderes tribais não é uma opção para nós (para garantir a segurança das seções eleitorais”, afirmou.

Favorito

Além do presidente, os 17 milhões de eleitores registrados poderão escolher também representantes para os conselhos locais das 34 províncias do país.

O atual presidente, Hamid Karzai, no poder desde 2001, é o favorito para vencer a eleição presidencial, mas muitos analistas veem uma grande possibilidade de que ele não consiga a maioria absoluta dos votos para evitar a realização de um segundo turno.

O principal adversário de Karzai é seu ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, cuja popularidade é alta entre a minoria tadjique do norte do país.

Alguns analistas consideram que o fato de o eleitorado tadjique estar concentrado em áreas mais pacíficas do país, onde o comparecimento às urnas deve ser maior, poderá favorecer Abdullah contra Karzai, cuja base de apoio está entre a maioria pashtun.

Entre os demais candidatos estão o ex-ministro das Economia Ashraf Ghani Ahmadzai e o parlamentar Ramazan Bashardost, que tem uma campanha baseada no combate à corrupção.

Os primeiros resultados da votação devem começar a ser divulgados a partir da semana que vem, mas os números finais somente serão anunciados no dia 17 de setembro.

Caso nenhum dos candidatos a presidente obtenha a maioria absoluta dos votos um segundo turno deve acontecer no início de outubro.

As eleições desta quinta-feira serão as primeiras organizadas pelos próprios afegãos em mais de 30 anos. As eleições presidenciais de 2004 e parlamentares de 2005 foram organizadas pelas Nações Unidas.

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