Afeganistão pede que mídia não cubra violência durante as eleições

Material eleitoral no Afeganistão
Image caption O governo está preocupado com o comparecimento às urnas

O ministério das Relações Exteriores do Afeganistão emitiu um comunicado, nesta terça-feira, pedindo que a mídia evite a cobertura de eventuais atos de violência no dia das eleições presidenciais para não afastar os eleitores.

“Pedimos que as mídias doméstica e internacional deixem de transmitir qualquer incidente de violência durante o processo eleitoral das 6 hrs às 20 hrs no dia 20 de agosto”, disse o ministro em comunicado.

O governo pediu ainda que os repórteres evitem chegar perto de locais atingidos por incidentes dessa natureza no dia do pleito, marcado para esta quinta-feira.

“As mídias doméstica e internacional não devem entrar na cena de nenhum incidente terrorista como ataques suicidas a bomba, explosões ou ataques de foguetes que cause destruição das provas iniciais para investigação”, disse o comunicado.

Controle

Segundo o porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, Siamak Herawi, a decisão do governo “ajudará a controlar o impacto negativo da mídia”.

“Se algo ocorrer, essa decisão vai prevenir que a mídia exagere os fatos e então as pessoas não se sentiram assustadas para sair e votar”, disse Herawi.

A decisão foi criticada por grupos ativistas de direitos humanos.

A organização americana Human Rights Watch disse que a decisão viola os direitos da imprensa.

“A tentativa de controlar os relatos sobre violência é uma violação das liberdades da imprensa”, afirmou a organização.

Violência

A decisão do governo foi tomada depois que militantes agiram em suas ameaças de causar transtornos na semana das eleições, apesar do aumento da segurança antes do pleito.

Nesta terça-feira, um atentado suicida com um carro-bomba contra um comboio militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixou pelo menos dez mortos na capital do Afeganistão, Cabul.

A bomba, a segunda detonada por um suicida no país nos últimos três dias, reforçou os temores sobre a capacidade do governo afegão de garantir a segurança no pleito de quinta-feira.