Coreia do Norte estaria disposta a dialogar com os EUA sobre programa nuclear

O líder norte-coreano, Kim Jong-Il
Image caption Kim Jong-Il concedeu perdão especial a duas jornalistas dos EUA em agosto

O governador do Estado americano do Novo México, Bill Richardson, disse, nesta quarta-feira, que a Coreia do Norte deu novos indícios de que estaria disposta a recomeçar o diálogo com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do país.

A declaração de Richardson foi feita após um encontro, em Santa Fé, com representantes do governo norte-coreano.

Richardson, ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, disse que a delegação norte-coreana indicou que o país está “pronto para um novo diálogo com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear”.

“Os norte-coreanos estão dando bons sinais de que estão prontos para conversar diretamente com os Estados Unidos”, disse Richardson.

“Eu detectei pela primeira vez uma redução da tensão, alguma vibração positiva”.

Apesar disso, o governador americano afirmou que a Coreia do Norte ainda recusou voltar às negociações multilaterais.

O governo norte-coreano abandonou a negociação com outros seis países depois que a Organização das Nações Unidas condenou um teste de míssil de longo alcance realizado pelo país em abril e impôs sanções contra o país.

Bill Clinton

O governador afirmou que a recente visita do ex-presidente Bill Clinton a Pyongyang, no início de agosto, teria ajudado a “descongelar as relações” entre os dois países.

Após a viagem de Clinton ao país asiático, o governo da Coreia do Norte concedeu um perdão especial a duas jornalistas americanas que estavam presas no país.

Laura Ling e Euna Lee estavam presas desde março, quando foram condenadas a 12 anos de trabalhos forçados por terem cruzado ilegalmente a fronteira com a China.

De acordo com Richardson, Pyongyang “obviamente usou as jornalistas como um elemento de troca” e agora espera um “gesto” em retorno.

Diálogo bilateral

Os Estados Unidos já haviam afirmado que estão dispostos a conversar diretamente com a Coreia do Norte dentro das negociações com os seis países – que envolve as duas Coreias, a Rússia, a China e o Japão, além dos EUA.

Richardson afirmou, no entanto, que “está claro que os norte-coreanos querem negociações bilaterais” e não com os seis países.

“A questão é se devemos proceder com o diálogo bilateral, como preferem os norte-coreanos, ou usar a negociação entre os seis países defendida pelos Estados Unidos”, disse o governador americano.

Em Washington, a Casa Branca declarou que não organizou o encontro entre Richardson e a delegação de Pyongyang e que não enviou nenhuma mensagem ao país asiático pelo governador.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse que o objetivo dos EUA na Coreia do Norte permanece “muito claro e simples”.

“Nosso objetivo é a Península da Coreia sem programas nucleares. E claro, queremos ver progresso em relação a isso”, disse.

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