Presidente afegão e líderes ocidentais classificam eleição como 'sucesso'

Funcionário lacra urna em seção eleitoral no sul do Afeganistão (AFP, 20 de agosto)
Image caption Resultados oficiais das eleições devem sair em 17 de setembro

O presidente afegão, Hamid Karzai, e seus aliados ocidentais classificaram as eleições presidenciais do Afeganistão, nesta quinta-feira, como um sucesso, após o pleito ter ocorrido sem grandes registros de violência.

Mais de 300 mil homens, entre membros das forças afegãs e internacionais, participaram das operações de segurança durante a votação e apenas ataques esporádicos atribuídos ao Talebã foram registrados durante o dia.

Após o fechamento das urnas, Karzai deu uma entrevista coletiva onde saudou os afegãos por terem enfrentado “bombas e intimidações” para votar.

“O povo afegão enfrentou foguetes, bombas e intimidações”, disse Karzai.

“Veremos como foi o comparecimento às urnas, mas as pessoas foram votar, isto é ótimo”.

Segundo Karzai, informações do Ministério do Interior afegão apontam que foram registrados 73 ataques em 15 Províncias do país durante esta quinta-feira.

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Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que “muitas pessoas desafiaram ameaças de violência e terror para expressar seus pensamentos a respeito do próximo governo do Afeganistão”.

Já o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, classificou a eleição como “um testemunho da determinação do povo afegão para construir a democracia”.

O enviado especial das Nações Unidas para o Afeganistão, Kai Eide, por sua vez, se disse “satisfeito” com as eleições, apesar dos incidentes.

“Houve incidentes dispersos aqui e ali, mas, no geral, parece ter corrido bem, e estou satisfeito com isso”, disse Eide a repórteres na capital, Cabul.

Acusações

Apesar dos elogios, foram levantadas algumas acusações contra a lisura do processo eleitoral desta quinta-feira.

Abdullah Abdullah, ex-chanceler do governo de Karzai e considerado seu principal concorrente, afirmou que os partidários do presidente – que concorre à reeleição - cometeram diversas irregularidades durante o pleito.

O candidato Ramazan Bashardost também afirmou que houve irregularidades durante as eleições e que teria conseguido lavar a tinta supostamente indelével usada para marcar os eleitores que já votaram.

“Isto não é uma eleição, é uma comédia”, disse Bashardost, que pediu que o pleito fosse interrompido. A Comissão Eleitoral, no entanto, rejeitou as acusações.

Outro candidato, Ashraf Ghani, também afirmou que houve fraude em partes do norte e do sul do país.

Comparecimento

O pleito desta quinta-feira – que também vai eleger os integrantes dos Conselhos Provinciais do país – é o primeiro organizado pelos próprios afegãos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a grande maioria das 6.969 seções eleitorais do país tinha condições de funcionar, apesar das ameaças de segurança.

Em um pronunciamento na TV estatal, o diretor da Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão, Azizullah Loudin, afirmou que o comparecimento foi “alto”.

Em Cabul, o clima durante o dia estava calmo, com um grande comparecimento em algumas seções eleitorais e pouca atividade em outras.

Em Lashkar Gah, capital da província de Helmand – considerada um reduto de insurgentes – muitos eleitores foram às urnas.

Já em Jalalabad, capital da província de Nangarhar, alguns distritos não registraram o comparecimento de nenhum eleitor.

Segundo repórter da BBC Martin Patience, três quartos da população afegã vive em vilarejos rurais, então o comparecimento de eleitores nestas regiões será importante para os resultados.

Os primeiros resultados parciais devem ser anunciados no sábado, mas os resultados oficiais só devem ser divulgados no dia 17 de setembro.

Caso nenhum dos candidatos à Presidência consiga mais de 50% dos votos, os dois primeiros colocados irão disputar um segundo turno.

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