Obama diz que libertação de condenado por Lockerbie foi erro

Ali al-Megrahi no aeroporto de Glasgow, na Escócia, pouco antes de partir para a Líbia (AFP)
Image caption Líbio acusado de atentado alegou inocência após ser libertado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que foi um “erro” a libertação pelo governo da Escócia do líbio Abdelbaset Ali Al-Megrahi, único condenado pelo atentado de Lockerbie, que deixou 270 mortos em 1988.

Al-Megrahi foi libertado nesta quinta-feira e partiu em um avião em direção à Líbia, onde chegou horas mais tarde. De acordo com o governo escocês, sua libertação se deu por motivos humanitários, já que o líbio sofre de câncer de próstata em estado terminal.

Ele havia sido condenado em 2001 por ter participado do ataque a bomba contra o voo 103 da Pan American World Airways, que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie. Das vítimas fatais, 189 delas americanas.

Encabeçando as críticas do governo americano à libertação do ex-agente do serviço secreto líbio, Obama afirmou que os Estados Unidos querem que o governo da Líbia mantenha Al-Megrahi em prisão domiciliar.

“Nós estávamos em contato com o governo escocês para indicar que éramos contra (a libertação) e que a consideramos um erro”, disse Obama, durante uma entrevista de rádio nesta quinta-feira.

“Estamos agora em contato com o governo líbio para termos certeza de que (...) ele não seja, de nenhuma maneira, bem-vindo ao país, e que fique em prisão domiciliar”, disse.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que seu governo está em contato com as famílias das vítimas do atentado para “indicar que não acreditamos que (a libertação) seja apropriada”.

“Desapontados”

Pouco antes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou, por meio de um comunicado, que os Estados Unidos estão “desapontados” com a decisão do governo escocês.

Outro membro do governo Obama, o secretário de Justiça, Eric Holder, também condenou a libertação de Al-Megrahi e disse que os “interesses da Justiça não foram contemplados pela decisão”.

Familiares das vítimas do atentado também protestaram contra a libertação do líbio.

A americana Kara Weipz, que perdeu o irmão Richard Monetti no atentado, afirmou que a medida é “insultante e totalmente repugnante”.

“Eu não mostro compaixão por alguém que não mostrou remorso”, disse.

“Isto pode soar cruel, mas eu queria que ele saísse da Escócia do mesmo jeito que minha mulher, em uma caixa”, afirmou Paul Halsch, que mora em Nova York e era marido de uma das vítimas do atentado.

Em um comunicado divulgado após a sua partida da Escócia, Al-Megrahi voltou a afirmar que é inocente.

“Os últimos dias de minha vida foram vividos sob a sombra do erro de minha condenação”, disse.

De acordo com Rana Jawad, repórter da BBC em Trípoli, embora as autoridades líbias não tenham comentado a libertação oficialmente, ela será considerada um triunfo diplomático do líder Muamar Khadafi.

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