Obama elogia afegãos por pleito presidencial

Image caption A violência do Talebã afastou alguns eleitores das urnas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou, nesta sexta-feira, a eleição presidencial afegã, mas alertou que o país deve esperar mais atos de violência de insurgentes.

"Nos últimos dias e especialmente ontem, presenciamos atos de violência e intimidação vindos do Talebã e podemos ver muitos outros no futuro", disse ele.

"Sabíamos que o Talebã tentaria atrapalhar o pleito. Mas mesmo assim, milhões de afegãos exercitaram seu direito de escolher seus líderes e determinar seu destino", afirmou.

Obama elogiou a "coragem" e "dignidade" dos eleitores que foram às urnas na quinta-feira. Os EUA, segundo ele, vão trabalhar junto com o novo governo para "fortalecer a segurança afegã, a governabilidade e as oportunidades".

"Nossa meta é clara: desmantelar e derrotar a Al Qaeda e seus aliados extremistas", completou.

Comparecimento

Dados preliminares sugerem que o comparecimento dos eleitores ficou entre 40% e 50% dos 17 milhões de eleitores registrados, bem mais baixo que o índice registrado na primeira eleição presidencial em 2004, que ficou em 70% de 10 milhões de eleitores.

Mas os observadores afirmam que esta eleição foi um sucesso, pois a votação ocorreu em clima relativamente pacífico, em meio às ameaças de ataques do Talebã.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que a maioria das zonas eleitorais funcionou normalmente.

No entanto, a Comissão Eleitoral Independente do Afeganistão disse, nesta sexta-feira, que 11 pessoas foram mortas por ataques de insurgentes enquanto tentavam organizar as eleições.

As acusações de violação de urnas e bloqueio de votos também ameaçam a credibilidade dos resultados.

Os dois principais candidatos que concorreram nas eleições presidenciais do Afeganistão, o presidente Hamid Karzai e o candidato de oposição Abdullah Abdullah, alegam que venceram o pleito.

Se nenhum candidato conseguir mais de 50% dos votos nesta rodada, será realizado um segundo turno, em outubro.

Zekria Barakzai, da Comissão Eleitoral Independente afirmou que foram observadas também diferenças no índice de comparecimento de eleitores entre as regiões norte e sul do país, onde a campanha de intimidação dos eleitores e ataques do Talebã, teria surtido efeito.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Cabul Ian Pannel, muitas pessoas também teriam desistido de votar devido à decepção com o governo de Hamid Karzai.

O correspondente afirma que os afegãos estão insatisfeitos pois não ocorreram as mudanças esperadas no país: o desemprego ainda é muito alto e a pobreza ainda é endêmica.

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