Líder líbio recebe condenado por Lockerbie

Image caption Megrahi foi recepcionado por centenas em sua volta à Líbia

O líder líbio Muanmar Khadafi, se encontrou com o único condenado pelo atentado de Lockerbie, Abdelbaset Ali Al-Megrahi, libertado pelo governo escocês na quinta-feira.

Segundo a agência oficial de notícias Jamahiriya (Jana), Khadafi teria elogiado o governo escocês pela libertação de Megrahi, por razões humanitárias.

“Nesse momento, gostaria de enviar uma mensagem aos nossos amigos na Escócia, ao Partido Nacionalista Escocês, ao primeiro-ministro e congratulá-los pela coragem e por terem provado a sua independência apesar das pressões inaceitáveis e sem razão que sofreram”, disse o líder, segundo a Jana.

Khadafi teria agradecido ainda o primeiro-ministro Gordon Brown e a Rainha Elizabeth 2ª pelo apoio dado ao governo escocês para “essa decisão histórica”.

Al-Megrahi, de 57 anos, foi condenado à prisão perpétua em janeiro de 2001 por ter participado do ataque a bomba contra o voo 103 da Pan American World Airways, que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie em 1988, matando 270 pessoas - 189 delas americanas.

Na quinta-feira, ele foi libertado pelo governo escocês por razões humanitárias, já que sofre de uma forma “agressiva” de câncer de próstata e teria apenas alguns meses de vida.

O filho de Khadafi, Seif al-Islam classificou a libertação de Al-Megrahi como uma “vitória”.

Retorno

Em uma entrevista ao jornal britânico The Times publicada neste sábado, Al-Megrahi disse que provará que é inocente antes de morrer e que sua condenação foi um “erro judicial”.

Em sua volta à Líbia, Al-Megrahi foi recebido por centenas de pessoas que acenando bandeiras líbias no aeroporto da capital, Trípoli.

A recepção foi criticada pelos Estados Unidos e pelo governo britânico.

"É perturbador ver imagens sugerindo que Megrahi foi recebido como um herói e não um assassino condenado", disse o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton.

O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, disse que "obviamente a visão de um assassino em massa recebendo uma recepção de herói em Trípoli é profundamente lamentável", disse ele.

'Acordo'

Na sexta-feira, o ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha negou as supostas alegações feitas pelo filho do líder líbio, Muanmar Khadafi, de que a libertação do único condenado pelo atentado de Lockerbie estaria relacionada a acordos comerciais entre os dois países.

Segundo a agência de notícias AFP, Seif al-Islam teria dado uma entrevista ao canal de televisão líbio Al Mutawassit, gravada durante o voo para Trípoli, na qual teria dito que o caso de Megrahi era citado em negociações para acordos de petróleo e gás entre a Líbia e a Grã-Bretanha.

Em nota, o ministério afirmou que “não há acordos” e que a libertação de Al-Megrahi teria sido baseada somente em termos judiciais.

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