Venezuelanos marcham a favor e contra nova lei de educação

Polícia usou gás lacrimonênio para dispersar protesto.
Image caption Polícia usou gás lacrimonênio para dispersar protesto.

Milhares de venezuelanos saíram às ruas neste sábado em duas manifestações diferentes, uma pró e outra contra a nova lei de educação promulgada pelo Parlamento há uma semana.

A marcha da oposição, que ocupou uma das principais avenidas do centro-oeste da cidade, foi dispersa pela Polícia Metropolitana com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água quando um grupo de manifestantes tentou romper o cordão de isolamento colocado pelos policiais perto do ponto final da manifestação, que havia sido previamente acordado entre o Executivo e a oposição.

Os opositores ao governo de Hugo Chávez argumentam que a nova lei pretende "ideologizar" a educação venezuelana.

"Não quero que ensinem comunismo para meu filho. Queremos liberdade", afirmou a comerciante Augusta Hernández, que admitiu à reportagem da BBC Brasil não ter lido as modificações que foram realizadas na nova legislação.

"Não tive tempo, mas vi pela televisão o que esse governo quer fazer, querem controlar tudo".

Ao longo da manifestação opositora se via cartazes com as frases "Não à mordaça na educação" e " Não admito tua lei cubana".

O governo, por sua vez, argumenta que a nova lei garante o acesso justo ao sistema educativo e o livre pensamento.

"Essa ferramenta, no caso da educação universitária, dá direito aos estudantes a ingressarem ao sistema sem que ninguém tenha que fazer provas (vestibular) (...), é uma lei que permite a inclusão", afirmou o ministro de Educação, Luis Acuña, em entrevista ao canal estatal, durante a manifestação a favor da lei.

Educação laica

A nova lei, assim como a anterior, reitera o caráter laico da educação venezuelana, medida que provocou o rechaço da cúpula da Igreja Católica, que adiantou que não acatará a regra.

"A nova lei inclui todos os venezuelanos. Antes, mesmo sendo proibido, davam aulas de catolicismo nas escolas. Como ficavam as crianças que seguem outra religião?", afirmou a professora Nícia Bolívar, durante a manifestação pró-lei que tomou uma avenida do centro da capital Caracas.

Entre outros aspectos, a nova legislação obriga a aplicação da "doutrina bolivariana" - referente a Símon Bolívar, prócer da independência da América Latina hispânica - nos cursos de ensino básico e médio.

A lei também permite que os Conselhos Comunais - que funcionam como uma espécie de grupo de Orçamento Participativo - assumam um papel de controladoria pública nas escolas e universidades.

Outro controvertido artigo que tem sido rejeitado pelos grupos empresariais da comunicação é o que co-responsabiliza aos meios de comunicação na educação da sociedade venezuelana.

Além de proibir a difusão de mensagens de violência, que "incitem o ódio" e que sejam "contrárias à soberania nacional", a legislação determina que os professores ensinem aos alunos a desenvolverem "pensamento crítico" frente aos meios de comunicação.

Notícias relacionadas