Recomendação do Governo pode reabrir casos de tortura pela CIA

prisioneiros no Iraque, em 2005
Image caption A divulgação do relatório trará mais revelações sobre tratamento de detentos

Representantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos recomendaram a reabertura de casos onde teriam ocorrido supostos maus-tratos de prisioneiros pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), de acordo com reportagem na edição desta segunda-feira do jornal americano The New York Times.

A recomendação, feita pelo Escritório de Ética Profissional do Departamento de Justiça, foi enviada para o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, e pode abrir caminho para que funcionários da CIA e pessoas contratadas pela agência enfrentem processo criminal pela forma cruel como trataram suspeitos de envolvimento em atos extremistas, disse o jornal.

A recomendação para a revisão de alguns casos - a maioria no Iraque e Afeganistão - reverteria uma política adotada pelo governo do presidente George W. Bush, que precedeu o de Barack Obama.

De acordo com correspondentes, a decisão pode criar problemas para a CIA e terá consequências também para Obama, pois o presidente desejava manter no passado a discussão sobre as práticas de interrogatório adotadas durante o governo Bush.

Furadeira

A recomendação ocorre depois de a imprensa americana ter sido divulgado no fim de semana partes previamente censuradas de um relatório interno da CIA de 2004 sobre maus-tratos a prisioneiros.

Em um dos casos citados no documento, uma arma e uma furadeira teriam sido exibidas durante o interrogatório de Rahim Al-Nashiri, suspeito de envolvimento no atentado contra o navio USS Cole e suposto comandante da rede extremista Al-Qaeda, diz a imprensa dos Estados Unidos.

Leia mais na BBC Brasil: CIA usou furadeira em interrogatório, diz imprensa americana

O governo americano proibiu métodos cruéis de interrogatório, inclusive ameaças de morte.

Uma versão com muitos trechos censurados do relatório foi divulgada no ano passado, mas não teve importância alguma porque muitas informações foram retidas, disse o correspondente da BBC em Washington Daniel Sandford.

Um juiz federal ordenou a divulgação de mais detalhes do documento nesta segunda-feira atendendo a pedido da União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

Também nesta segunda-feira, o presidente Obama aprovou a criação de uma nova unidade para interrogar suspeitos-chave de envolvimento em atos extremistas, disse o jornal americano TheWashington Post.

A unidade, chamada de Grupo de Interrogatório para Detentos de Alto-Valor (High-Value Detainee Interrogation Group), deverá ser composta de especialistas de agências de inteligência e de segurança.

De acordo com o jornal, a unidade funcionará no FBI (polícia federal americana), mas será supervisionada pelo Conselho de Segurança Nacional e, diretamente, pela Casa Branca.

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