Produtores rurais anunciam paralisação na Argentina

Protesto na Argentina (foto de arquivo)
Image caption Em 2008, alguns produtores bloquearam as estradas do país em protesto

Os produtores rurais argentinos anunciaram, nesta terça-feira, a paralisação, a partir de sexta-feira, do comércio de grãos e bovinos, com destino ao setor industrial e às exportações.

Segundo Carlos Garetto, da Confederação Intercooperativa Argentina de Agropecuárias (Conigraro), a greve terá duração de uma semana.

“Interpretamos o mal estar que se vive no campo e decidimos adotar estas medidas”, disse Garetto ao ler um comunicado assinado pelas quatro principais confederações agropecuárias do país.

De acordo com ele, a “gota d´agua” foi o anúncio, nesta terça-feira, da decisão do governo da presidente, Cristina Kirchner, de vetar um artigo da lei de emergência agropecuária que reduzia impostos para os produtores das regiões afetadas pela recente e histórica seca.

A medida tinha sido aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado. Na última semana, o debate no Congresso Nacional já tinha provocado protestos de alguns grupos do setor rural.

“O governo não fez a leitura correta dos resultados das urnas”, disse Pablo Orsolini, da Federação Agrária Argentina.

Orsolini se referia ao resultado das últimas eleições legislativas, nas quais a lista de candidatos do governo ao Congresso Nacional saiu derrotada para a oposição.

Abastecimento

Os representantes das quatro conferedações agropecuárias - Garetto, Orsolini, Mario Llambias, representante das Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Hugo Biolcati, da Sociedade Rural - descartaram que o protesto afetará o abastecimento no país.

“Não haverá desabastecimento. Mas queremos alertar para a situação que vivem hoje os produtores, com muitas regiões em situação terminal. Em algumas regiões ainda não choveu depois da seca. A situação é desastrosa”, afirmou Orsolini.

O setor rural, reunido pelas quatro entidades, enfrenta fortes diferenças com o governo de Cristina Kirchner desde o ano passado.

Na época, o governo defendeu o aumento dos impostos para as exportações de grãos, mas a medida foi derrotada com o voto do vice-presidente da República e presidente do Senado, Julio Cobos.

A medida de aumento dos impostos às exportações provocou bloqueios nas estradas do país, desabastecimento em algumas regiões e panelaços nas cidades, inclusive na capital, Buenos Aires.

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