EUA suspendem vistos para hondurenhos para pressionar Micheletti

O líder do governo interino de Honduras, Roberto Micheletti
Image caption Os EUA querem pressionar e convencer Micheletti a aceitar o acordo

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira, a suspensão da emissão de vistos para os hondurenhos como medida de pressão para apoiar a missão da Organização de Estados Americanos (OEA) que negocia com o governo interino o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, à Presidência.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse que a decisão foi tomada "em consequência da resistência do regime de fato de Honduras em firmar o Acordo de San José" e "em apoio à missão" de chanceleres da OEA.

A missão da OEA chegou à capital, Tegucigalpa, na segunda-feira para tentar solucionar a crise hondurenha que se arrasta desde 28 de junho.

Kelly anunciou que a partir desta quarta-feira estarão suspensos os vistos que não estejam relacionados com emergências ou processos migratórios. Em julho, os EUA já haviam suspendido os vistos diplomáticos de quatro autoridades de Honduras ligadas ao governo do presidente interino do país, Roberto Micheletti.

A decisão, segundo Kelly, é uma medida de pressão para convencer o governo interino liderado por Roberto Micheletti a negociar o acordo de San José mediado pelo presidente costarriquenho, Oscar Arias.

Segundo o porta-voz, o governo dos Estados Unidos "acredita firmemente que uma solução negociada é o caminho apropriado e que o acordo de San José é a melhor solução".

Entre outros pontos, o acordo prevê o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte – medida que foi utilizada como argumento pela oposição para depor a Zelaya.

Eleições

Enquanto Washington anunciava as novas medidas sobre os vistos, o líder do governo interino, Roberto Micheletti, disse, em reunião com os chanceleres da OEA que "haverá eleições" no dia 29 de novembro, independente do reconhecimento da comunidade internacional.

"Eu peço a Deus que (as eleições) sejam massivas, estamos incitando a população para que todo mundo saia para votar, para garantir que neste país queremos viver em democracia", afirmou Micheletti, durante a reunião realizada na casa presidencial.

Micheletti disse não ter medo do embargo dos demais países.

"Já analisamos com toda tranquilidade, com toda firmeza que esse país pode sair adiante sem o apoio de vocês e de outros países", acrescentou.

Tanto a OEA como outros países da região advertiram que não legitimarão as eleições que não sejam realizadas com Zelaya à frente da Presidência.

De acordo com o dirigente da Frente Nacional de Resistência, Rafael Alegria, que protesta contra o governo interino, caso a missão da OEA fracasse, a crise política no país pode se agravar.

"A tendência é que aumente a confrontação política, coisa que não desejamos. Nosso movimento é pacífico, mas estamos determinados a continuar lutando pelo retorno da democracia em Honduras", disse Alegria à BBC Brasil.

Alegria adiantou, na segunda-feira, ter alertado à OEA sobre um prazo, estipulado até esta sexta-feira, para que um acordo seja estabelecido, caso contrário, a Frente de Resistência convocará um "boicote" às eleições.