Khamenei diz não haver provas de apoio estrangeiro aos protestos no Irã

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei
Image caption Khamenei disse não haver provas de envolvimento dos EUA

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou, nesta quarta-feira, que não acredita que os líderes da oposição responsabilizados pelos protestos que sucederam as eleições no país teriam sido orientados por agentes estrangeiros.

“Não acuso os líderes dos incidentes recentes de serem subordinados aos estrangeiros, assim como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, já que para mim, isso ainda não está provado”, disse o aiatolá em um comunicado transmitido pela rede de televisão iraniana.

Diversos líderes da oposição estão sendo julgados em Teerã acusados de conspirar com agentes estrangeiros para organizar os protestos realizados após as eleições presidenciais no país. Políticos extremistas vêm pedindo a prisão de líderes da oposição, inclusive do ex-presidente, Akbar Rafsanjani.

Eles acusam o ex-presidente de fazer parte de um plano dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para desestabilizar o Irã.

“Todos podem ter certeza de que crimes não serão tolerados, mas em questões tão importantes, o judiciário deve julgar com base em razões fortes e provas”, disse o aiatolá.

Khamenei afirmou, no entanto, que “não há dúvidas” que os protestos, que deixaram mais de 30 mortos, foram organizados com antecedência.

Tensão

A vitória de Ahmadinejad no pleito desencadeou as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas. Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior do que o divulgado.

Segundo o correspondente da BBC no Irã Kasra Naji, o aiatolá Ali Khamenei estaria tentando amenizar as tensões entre o governo e a oposição no Irã.

Naji afirma ainda que os julgamentos recentes dos acusados pelos protestos – nos quais alguns detidos teriam confessado ter participado de uma trama organizada por agentes estrangeiros – estão gerando ainda mais incertezas no Irã.

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