Premiê israelense resiste em fazer concessões sobre assentamentos

O premiê israelense Binyamin Netanyahu e o enviado especial dos EUA,  George Mitchell (AFP, 26 de agosto)
Image caption Premiê tem resistido em fazer concessões sobre assentamentos

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira que quer retomar “negociações significativas” com os palestinos, mas não deu sinais de que irá aceitar uma interrupção ampla nas construções de assentamentos judaicos em territórios ocupados.

Os Estados Unidos vêm pressionando Israel a aceitar a interrupção nas construções de assentamentos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia como parte de um esforço para que as negociações de paz com os palestinos possam ser retomadas.

Nesta quarta-feira, Netanyahu conversou durante quatro horas em Londres com o enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

Em um comunicado conjunto, Netanyahu e Mitchell afirmaram que houve “progresso” nas conversas desta quarta-feira e que ambos concordaram quanto à “importância de trabalhar na direção de um plano de paz amplo, e que todas as partes tomem medidas concretas em direção à paz”.

Ainda segundo o comunicado, uma delegação do governo de Israel se encontrará com Mitchell na próxima semana nos Estados Unidos para continuar as negociações.

“Meu governo deu muitos passos, tanto em palavras como em ações, para avançar no sentido da paz, e eu espero que hoje, e nas próximas semanas, nós possamos levar o processo adiante, ao menos para começar, (para) retomar as negociações políticas (com os palestinos)”, disse Netanyahu em uma coletiva com Mitchell.

Um porta-voz de Netanyahu foi além e disse que Israel e Estados Unidos já estão “próximos” de um acordo sobre os assentamentos.

Assentamentos

De acordo com o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja lançar um plano de paz para o Oriente Médio na Organização das Nações Unidas em setembro.

Em um encontro com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, na terça-feira, Netanyahu já havia rejeitado explicitamente qualquer interrupção em construções em Jerusalém Oriental – reivindicada pela Autoridade Nacional Palestina para ser a capital de um futuro Estado.

Ele também reiterou que os palestinos devem reconhecer Israel como um Estado judaico.

Segundo Netanyahu, Israel não irá abrir novos assentamentos, mas pretende continuar a construir dentro dos que já foram prontos para atender ao “crescimento natural” das comunidades que lá vivem.

A pressão dos Estados Unidos para que Israel interrompa completamente as construções abalou as relações normalmente próximas entre os dois países.

Cerca de 450 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.

Pela legislação internacional, os assentamentos são ilegais, embora o governo israelense discorde.

Em 2003, Israel concordou em congelar as atividades nos assentamentos como parte de um plano de paz com os palestinos, mas autoridades do país afirmavam que existia um acordo oral com o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que autorizava o crescimento dos assentamentos já existentes.

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