Ahmadinejad quer que líderes de protestos no Irã sejam processados

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad
Image caption Ahmadinejad foi reeleito para a presidência em junho

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira que os organizadores das grandes manifestações ocorridas depois das eleições de junho, que resultaram em sua reeleição, devem ser processados e punidos.

Milhares de pessoas foram às ruas do Irã protestar contra o resultado do pleito, alegando que houve fraudes que favoreceram o presidente.

Falando antes das orações desta sexta-feira na Universidade de Teerã, Ahmadinejad não citou nomes, mas afirmou que "os principais elementos não devem ter imunidade ou segurança" enquanto seus seguidores são castigados.

"Devemos lidar com mais seriedade com os líderes e principais elementos envolvidos (nos protestos depois das eleições)", afirmou o presidente iraniano no discurso para milhares de pessoas, que foi transmitido pelo rádio.

"Aqueles que organizaram (os protestos) provocaram e implementaram os desejos do inimigo e devem ser enfrentados de maneira decisiva."

Os políticos linha-dura do país estão debatendo o destino de líderes de oposição como o ex-candidado presidencial Mir Hosein Mousavi, derrotado em junho, e até o ex-presidente Mohamed Khatami.

Analistas afirmam que, se mais pessoas forem levadas ao tribunal, a situação poderá ficar cada vez mais explosiva e imprevisível no país.

Abusos

Ahmadinejad reconheceu que alguns manifestantes presos após os protestos de junho sofreram abusos, mas acrescentou que as forças de segurança não estavam envolvidas nestes casos.

"Estas ações que ocorreram em custódia... eram parte do cenário do inimigo. As forças de segurança, militar e secreta, estão livres destes atos vergonhosos", disse.

O centro de detenção Kahrizak foi fechado em julho seguindo ordens do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, devido às alegações de abusos.

Khamenei afirmou que a prisão "não conseguiu proteger os direitos dos detidos".

Dois policiais foram punidos por espancar prisioneiros no centro de detenção. Policiais também admitiram que alguns dos que estavam detidos desde junho podem ter sido torturados.

O Parlamento iraniano e o Poder Judiciário estabeleceram comitês para investigar os protestos depois da eleição e a resposta do governo.

Prisões

Os protestos após as eleições nas ruas de Teerã acabaram em violência depois que as forças de segurança enfrentaram os manifestantes.

Muitos já foram libertados mas, no momento, o Irã está julgando mais de cem detidos sob alegação de envolvimento nos protestos.

Entre os réus estão várias figuras importantes da oposição acusadas de conspirar com estrangeiros na organização das manifestações.

Os críticos destes tribunais afirmam que eles são apenas encenações.

Khamenei disse na quinta-feira que não viu provas de que os líderes dos protestos estavam agindo como agentes de outros países como Grã-Bretanha e Estados Unidos.

Leia mais na BBC Brasil: Khamenei diz não haver provas de apoio estrangeiro aos protestos no Irã

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