Peru pede à Interpol prisão de líder indígena acusado de protestos

Alberto Pizango
Image caption Alberto Pizango recebeu asilo na Nicarágua em junho

Uma juíza no Peru pediu auxílio à Interpol para prender e extraditar o líder indígena Alberto Pizango, asilado na Nicarágua desde junho.

O governo peruano acusa o líder de rebelião e sedição contra o Estado pela violência que matou pelo menos 34 pessoas em junho durante protestos na Amazônia peruana.

O epicentro da violência foi o povoado amazônico de Bagua Grande, que fica 1.400 km ao norte da capital, Lima. Cerca de 2,5 mil indígenas, muitos armados com facões, protestaram contra planos do governo de permitir a exploração de recursos naturais na região. Eles bloquearam estradas e a polícia enviou tropas de choque, o que resultou em ainda mais violência.

O Congresso acabou revogando os decretos legislativos 1090 e 1064 numa sessão no dia 18 de junho.

A juíza Carmen Arauco disse que Pizango incitou a violência ao sugerir um protesto uma semana antes dos confrontos.

Durante dois meses de protestos e bloqueios, que iniciaram em abril, Pizango liderou as manifestações contra o governo do presidente Alan Garcia por conta de uma série de decretos legislativos que visavam regular os recursos hídricos e florestais, e contra uma lei que permitiria às empresas estrangeiras explorar madeira e minérios em terras indígenas.

Em junho, Pizango pediu asilo à Embaixada da Nicarágua e teve o pedido aceito. Além dele, outros dois líderes indígenas também receberam asilo no país. Arauco pediu a prisão e extradição dos três líderes.

A Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), que representa os indígenas, acusou o governo de usar os tribunais para perseguir politicamente os líderes indígenas do país.

Segundo o correspondente da BBC em Lima Dan Collyns, há pouco sinal de comprometimento entre o governo peruano e os líderes indígenas da Amazônia.

Protestos

Após um longo debate no Congresso, as leis que causaram a polêmica foram revogadas por 82 votos a favor, 14 contra e nenhuma abstenção.

Os decretos haviam sido estabelecidos em 2008 pelo presidente peruano, Alan García, com o uso de poderes especiais concedidos a ele pelo Congresso para o processo de implementação do acordo de livre comércio entre Peru e Estados Unidos.

Os grupos indígenas peruanos eram contra a legislação por entenderem que ela permitiria que empresas estrangeiras explorassem a madeira, minérios e instalasse grandes fazendas nas terras habitadas por eles. Na época, o presidente Alan García, em um discurso transmitido pela televisão, afirmou que foi um erro não ter consultado as comunidades indígenas antes de promulgar os decretos sobre o uso dos recursos naturais da Amazônia peruana.

O presidente afirmou que o objetivo do governo era de ordenar a exploração dos recursos florestais e preservar o meio ambiente, e que a legislação não afetaria as terras das comunidades indígenas.

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