Japão vota em eleições que podem acabar com hegemonia de 54 anos

Japoneses assistem a comício do oposicionista Yukio Hatoyama em Tóquio, no sábado (AP)
Image caption Oposição deve levar maior parte dos votos, apontam sondagens

Os eleitores japoneses começaram a ir às urnas na manhã deste domingo (horário local) para escolherem os candidatos que ocuparão os assentos da Câmara Baixa do Parlamento, em um pleito que pode representar uma reviravolta histórica na política do país.

De acordo com a maioria das pesquisas de intenção de voto, o oposicionista Partido Democrático do Japão (PDJ) deve impor uma derrota histórica ao Partido Liberal Democrático (PLD), que governou o país quase ininterruptamente nos últimos 54 anos.

Diversas sondagens apontam que o PDJ pode ganhar mais de 300 dos 480 assentos da casa, revertendo os resultados das eleições de 2005, quando sofreu uma grande derrota.

Caso as previsões se confirmem, o líder do PDJ, Yukio Hatoyama, deve se tornar o primeiro-ministro do país, derrotando o atual premiê, Taro Aso, líder do PLD.

O PDJ já controla a Câmara Alta do Parlamento japonês, com apoio de agremiações menores, como os social-democratas.

Uma eventual vitória na Câmara Baixa neste domingo, no entanto, pode colocar fim à hegemonia do PLD, que, exceto por um curto período de onze meses em 1993, tem governado o Japão desde 1955, quando foi fundado.

“Mudança”

As autoridades esperam que o comparecimento às urnas deve ser alto neste domingo.

Cerca de 10% dos eleitores já haviam depositado seus votos antecipados no sábado.

Para analistas, muitos eleitores devem usar seus votos para expressar sua frustração com os altos índices de desemprego e com o modo com que o governo está administrando a economia durante este período de recessão global.

Com uma campanha que tem a mudança como mote, o líder do PDJ, Yukio Hatoyama, tem prometido promover modificações na política doméstica e externa do Japão, além de fazer reformas para diminuir a burocracia no país.

Ele também tem prometido mais ajuda às famílias japonesas, além de políticas para aumentar os índices de natalidade do país.

“Eu garanto que o Partido Democrático (irá) mudar a política de uma maneira que as pessoas poderão dizer: ‘a política do Japão realmente mudou em 30 de agosto de 2009’”, disse Hatoyama durante um comício em Osaka, no sábado.

O atual premiê, Taro Aso, por sua vez, questionou a capacidade da oposição, que tem pouca experiência política, de liderar o país.

“Eu peço que vocês deem o poder para o PLD, para que nós possamos completar a recuperação (econômica) que ainda está na metade do caminho”, disse Aso, durante um comício na cidade de Kamakura, nas proximidades de Tóquio.

A votação será encerrada às 8h de domingo (horário de Brasília) e as primeiras pesquisas de boca-de-urna devem começar a ser divulgadas logo em seguida.

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