Primeira vítima conta drama que viveu nas mãos de Garrido

Phillip Garrido com a advogada, Susan Gellman .(AP Photo/Rich Pedroncelli)
Image caption Phillip Garrido cumpriu apenas 10 anos de uma pena de 50

A primeira vítima de Phillip Garrido - o homem acusado de ter sequestrado, estuprado e mantido cativa por 18 anos Jaycee Le Dugard - deu detalhes sobre o drama que enfrentou há mais de 30 anos.

Em entrevista à rede de TV CNN, a americana Katie Callaway Hall disse que nunca deixou de pensar em Garrido desde o dia 22 de novembro de 1976, quando ele lhe ofereceu uma carona, a algemou e a levou a um depósito em Reno, no Estado de Nevada, onde a estuprou.

Ela contou que quando soube que Garrido tinha sido detido por suspeita de ter raptado Jaycee - na mesma cidade em vivia, South Lake Tahoe - começou a tremer e a gritar: "Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! É ele!".

Hall relembrou o dia em que foi sequestrada: "Cometi o maior erro da minha vida", disse ela, ao contar que entrou no carro de Garrido no estacionamento de um supermercado.

Segundo Hall, Garrido a levou até uma área remota da cidade de Reno, onde bateu sua cabeça no volante do carro e a algemou.

Ela foi estuprada e mantida cativa por oito horas no depósito, descrito por ela como "um labirinto de carpetes e caixas...que ele deve ter preparado para manter uma pessoa (cativa) por um tempo", disse Hall.

A vítima conseguiu fugir quando um policial patrulhando a área se aproximou do depósito. Ela correu para fora aos berros, nua.

Image caption Jaycee foi mantido em cativeiro por 18 anos

Hall testemunhou contra Garrido no julgamento que, em 1976, o condenou a 50 anos de prisão. Ela contou que ficou surpresa ao saber da libertação de Garrido, uma década depois, pois acreditava que ele só poderia ser solto sob liberdade condicional depois de 30 anos de cadeia.

"Passei a conviver com o medo, desde então", contou Hall, que acabou se mudando da área de Lake Tahoe, convencida de que sua vida estava em perigo.

'Um monstro'

Outra mulher, a primeira esposa de Garrido, disse que ele era "um monstro".

Christine Murphy, que casou com Garrido depois de namorá-lo na escola, contou à rede americana CBS que seu então marido chegou a tentar arrancar seus olhos com um alfinete, em um momento de fúria.

Segundo Murphy, Garrido era um homem "manipulador" que a agredia com tapas. Durante seu curto casamento, era ela quem pagava as contas, trabalhando em um casino, enquanto Garrido tentava lançar uma carreira como músico.

Ela afirmou ainda que teria sido a primeira vítima de sequestro de Garrido. "Sempre estava tentando arrumar um jeito de sair fora", disse ela, "e ele sempre me dizia que me acharia, fosse onde fosse".

Um dia ela fugiu, mas Garrido a achou. "Ele apareceu e me forçou para dentro do carro".

Murphy acabou se casando denovo e tem quatro filhos.