EUA demitem guardas que participavam de bebedeiras escandalosas em Cabul

Image caption As fotos mostram os guardas em vários estágios de nudez

A Embaixada dos Estados Unidos na capital do Afeganistão, Cabul, disse nesta sexta-feira que oito seguranças que trabalhavam no local foram demitidos por terem participado de festas consideradas “impróprias”.

A Embaixada diz que os guardas, que tiraram várias fotografias nus nas ruas da capital, já deixaram o país. Não foram revelados os nomes ou a nacionalidade dos seguranças.

O órgão americano de fiscalização Project on Government Oversight revelou o escândalo nesta semana.

Segundo a agência, os guardas participaram de ruidosas bebedeiras na capital afegã - ofensa agravada pelo fato de o Afeganistão ser um país que não considera apropriado beber álcool.

A entidade afirmou ainda que durante as festas, os guardas obrigariam uns a beber vodka das nádegas dos outros e urinavam sobre pessoas nas ruas.

Humilhação

O órgão fiscalizador elogiou a rapidez de ação, mas reclamou que não foi informada sobre os nomes dos demitidos. A entidade disse temer que pessoas inocentes possam ter sido punidas como bode expiatórios.

"Escutamos que pessoas estão sendo demitidas apenas porque apareceram em fotos. Sabemos que muitos foram obrigados a participar dos eventos", disse o órgão, que afirmou ainda que supervisores forçavam guardas iniciantes a participar de “rituais humilhantes”.

Embora a empresa empregadora dos seguranças, a ArmorGroup America, não tenha se manifestado, a Embaixada americana afirmou em um comunicado que "a direção da ArmourGroup em Cabul está sendo substituída imediatamente. Todos os guardas da empresa estão sendo interrogados pela Embaixada".

Uma equipe do Departamento de Estado americano foi a Cabul investigar o escândalo.

O uso militar de empresas contratadas é polêmico. O Iraque baniu a empresa Blackwater após alguns de seus empregados terem matado 14 civis em Bagdá em 2007.

Alguns analistas afirmam que o escândalo em Cabul revela potenciais falhas de segurança na Embaixada dos EUA, que abriga mais de 1 mil funcionários.

Apesar disso, autoridades americanas afirmam que estão certas de que o local está adequadamente seguro.

Analistas afirmam ainda que o escândalo envolvendo os seguranças está sendo interpretado como mais um fracasso na tentativa dos EUA de conquistar a população do Afeganistão.