Pesquisa indica primeira queda de Dilma Rousseff

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)
Image caption Ministra seria a mais prejudicada por candidatura Marina, diz pesquisa

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pela CNT/Sensus indica que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode ter tido sua primeira queda de intenção de voto desde que sua possível candidatura à Presidência começou a constar nos levantamentos do instituto.

Segundo o levantamento, Dilma perdeu 3,7 pontos percentuais em um cenário de segundo-turno contra o governador de São Paulo, José Serra. Trata-se da primeira queda da ministra fora da margem de erro, que pode variar de 1 a 3 pontos percentuais.

Nesse cenário de segundo-turno, Dilma teria 25% das intenções de voto, contra 28,7% no levantamento anterior. Já o governador Serra manteve-se no mesmo patamar, saindo de 49,7% para 49,9%.

De acordo com a pesquisa, Dilma também seria a candidata mais prejudicada pela possível candidatura da senadora Marina Silva, atualmente no PV, à Presidência no ano que vem.

Em um cenário de primeiro-turno com Marina, todos os candidatos perderiam espaço, mas a maior prejudicada seria a ministra Dilma, com queda de 4,5 pontos. Também o único recuo fora da margem de erro.

"Pauta negativa"

Segundo o coordenador da pesquisa, Ricardo Guedes, os pontos perdidos pela ministra Dilma refletem principalmente “uma contínua pauta negativa no ambiente político”.

A recente crise no Senado, envolvendo o presidente da casa, José Sarney, e a suposta reunião entre a então secretária da Receita Federal, Lina Vieira, e Dilma, são apontados por Guedes como os dois principais fatores negativos sobre a pontuação da ministra na pesquisa.

Segundo o levantamento, 41,5% dos entrevistados têm conhecimento do caso envolvendo Lina Vieira e Dilma Rousseff. Dessa parcela, 35,9% acreditam na versão da ex-secretária da Receita, enquanto 23,6% acreditam na ministra.

De acordo com Guedes, os números indicam que a ministra ainda não conseguiu agregar votos próprios. “Até o momento, a ministra vem acrescentando os votos que seriam para o presidente Lula”, disse.

“Efeito Marina”

A pesquisa divulgada nesta terça-feira traz, pela primeira vez, cenários envolvendo a senadora Marina Silva, que deixou recentemente o PT para se filiar ao PV, partido que lhe ofereceu a candidatura presidencial.

Em um cenário de primeiro turno com Marina, Serra teria 39,5% das intenções de voto, Dilma, 19%, Heloísa Helena, 9,7% e Marina, 4,8%.

Apesar da queda de 4,5 pontos nas intenções de votos para Dilma registrada após a inclusão de Marina Silva no levantamento, Ricardo Guedes diz que, por enquanto, o “efeito Marina” é baixo sobre a candidatura da ministra.

“A ministra foi prejudicada, sobretudo, pelo impacto negativo sobre a imagem do governo e do presidente Lula”, diz.

Opção

Dilma Rousseff é o nome preferido do presidente Lula para a disputa das eleições presidenciais, no ano que vem. Um dos principais desafios do governo é tornar a ministra mais popular entre o eleitorado.

Entre os pesquisados, 26% não conhecem ou não ouviram falar da ministra. Com relação ao governador Serra, esse número é de 3,7%.

Apesar de a ministra Dilma ser a principal pré-candidata à Presidência pelo PT, setores do partido e da base aliada não descartam a possibilidade de apoiar um outro nome, caso a ministra não decole nas pesquisas.

Uma das opções seria o deputado federal Antônio Palocci (PT-SP). O ex-ministro da Fazenda ficou livre para a disputa eleitoral depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu arquivar um pedido de investigação contra ele por quebra de sigilo bancário.

Lula

A crise política, assim como a disseminação da gripe suína, também afetaram a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula Silva.

De acordo com pesquisa CNT/Sensus também divulgada nesta terça-feira, o índice de aprovação ao presidente caiu 4,7 pontos, chegando a 76,8%.

Segundo o coordenador da pesquisa, Ricardo Guedes, o presidente Lula “também arcou com os ônus das crises políticas”.

Leia também na BBC Brasil: Pesquisa registra queda de popularidade de Lula com crise política e gripe

O levantamento mostra ainda um aumento na parcela da população que desaprova o presidente: o índice subiu três pontos, para 18,7%.

Lula já havia enfrentado uma queda de popularidade durante o agravamento da crise financeira. O impacto desta crise, no entanto, foi passageiro.

A aprovação de Lula chegou a cair para 76,2% em março, mas voltou a subir para 81,5% em maio.

Mesmo durante a crise, no entanto, Lula chegou a atingir o recorde de sua popularidade (84%), no auge da turbulência financeira, em janeiro.

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