Operação para libertar jornalista do 'NY Times' mata 4 no Afeganistão

Stephen Farrell (Foto: Marko Georgiev/The New York Times)
Image caption Stephen Farrell já havia sido sequestrado no Iraque, em 2004 (Foto: Marko Georgiev/The New York Times)

Um jornalista britânico que havia sido sequestrado no Afeganistão foi libertado após uma incursão realizada por soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na madrugada desta quarta-feira, segundo informações das autoridades afegãs.

Na operação, com o uso de helicópteros, um soldado britânico e três civis afegãos morreram - um deles, o intérprete que trabalhava com o jornalista.

Stephen Farrell, repórter do jornal The New York Times, havia sido capturado no sábado em Kunduz, no norte do país, junto com o intérprete afegão Sultan Munadi.

No site do diário americano, Farrell disse ter sido "retirado" por "vários soldados" após um intenso combate.

"Tinha balas por todo lado. Eu ouvia vozes de britânicos e afegãos", afirmou.

Segundo o Farrell, o intérprete chegou a gritar "Jornalista! Jornalista!, antes de cair morto com uma rajada de balas.

"Me enfiei em uma vala", disse. Momentos depois, ao ouvir vozes falando inglês, ele começou a gritar: "Refém britânico!".

O jornalista, que já havia sido sequestrado no Iraque, em 2004, então telefonou ao editor de Internacional do jornal e disse: "Estou livre!".

Ele contou também ter ligado para sua mulher.

Reclamação

O diretor da Associação Afegã de Jornalistas Independentes, Rahimullah Samadar, disse à BBC que a incursão da Otan demonstrou que os soldados estrangeiros não se importam com os repórteres afegãos.

Segundo ele, esta não é a primeira vez que um jornalista afegão é morto após um sequestro, enquanto seu colega ocidental é libertado.

Munadi havia acabado de voltar ao Afeganistão para trabalhar em sua área, após concluir um mestrado na Alemanha.

Em um artigo recente publicado no New York Times, ele falou sobre a volta: "Se eu deixar este país, se outras pessoas como eu deixarem este país, quem vai vir para o Afeganistão? Será o Talebã, que virá para governar este país?", escreveu.

Bill Keller, editor-executivo do jornal, disse que sua equipe está "muito contente" pela libertação de Ferrell, mas "profundamente triste que o resgate tenha sido a este preço".

Ainda não se sabe quem é o outro civil morto.

Farrell havia viajado a Kunduz para investigar um ataque aéreo lançado na sexta-feira pela Otan contra dois caminhões-tanques roubados por militantes do Talebã, que deixou vários civis mortos.

O britânico é o segundo jornalista do New York Times a se sequestrado no Afeganistão no espaço de um ano.

Em junho, o repórter David Rohde e um assistente afegão foram capturados em Cabul e levados até a fronteira com o Paquistão de onde conseguiram fugir.

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