EUA expressam preocupação sobre compra de armas pela Venezuela

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly
Image caption Kelly disse que a Venezuela deve ser 'transparente' sobre suas intenções

O Departamento de Estado americano expressou preocupação sobre a compra de armas anunciada pela Venezuela, alegando que o incremento do arsenal bélico do país representa um grave desafio à estabilidade na América Latina.

No domingo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que a Rússia concordou em emprestar mais de US$ 2 bilhões para a Venezuela para a compra de armas. O crédito será usado para compra de 92 tanques e um sistema de lançamento de foguetes S-300 da Rússia.

Leia na BBC Brasil: Venezuela terá empréstimo russo de US$ 2 bi para armas, diz Chávez

Segundo um porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, as compras de armas efetivadas pela Venezuela e a intenção de compra manifestada pelo país superam todos os outros países na América do Sul.

Kelly disse ainda que o governo venezuelano deve ser transparente sobre suas intenções e expressou preocupação sobre a possível transferência de armas para o que chamou de organizações “irregulares” ou “ilegais”.

“Exigimos que a Venezuela seja transparente em suas compras, e muito clara em relação ao objetivo dessas compras. E também queremos que estabeleçam procedimentos e salvaguardas muito claras para que essas armas não sejam desviadas para nenhuma organização irregular ou ilegal", afirmou.

Tensão

O acordo para compra de armas entre Venezuela e Rússia foi assinado em meio a tensões entre a Venezuela e a Colômbia, depois que o governo colombiano anunciou um acordo com os Eatados Unidos para a utilização de bases militares em seu território.

A Colômbia afirma que as forças americanas vão ajudar na guerra contra drogas e guerrilhas esquerdistas, e não vão desestabilizar a região.

Chávez sugeriu que a decisão colombiana é uma ameaça à segurança venezuelana e que a compra de armas dificultará um eventual ataque ao seu país.

"Com estes foguetes, ficará muito difícil para que eles [os Estados Unidos] venham e nos bombardeiem. Se isso acontecer, eles deveriam saber que nós vamos instalar em breve estes sistemas", disse.

"A Venezuela não tem planos para invadir ninguém ou atacar ninguém. Estas armas são necessárias para a nossa defesa nacional."

O Brasil também está modernizando suas Forças Armadas e deve fechar em breve um acordo de compra de jatos com a França. A licitação ainda não acabou e o governo deve aprofundar a negociação com outros dois países – Suécia e Estados Unidos.

Os anúncios dos países latino-americanos contribuem para um aumento do temor de uma corrida armamentista na região.

Os EUA já expressaram preocupação sobre o aumento das tensões na região e a crescente influência da Rússia, Irã e China na América Latina.

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