Zelaya diz ter voltado a Honduras; governo nega

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya (AP, arquivo)
Image caption Zelaya teria chegado nesta segunda-feira a Tegucigalpa

Quase três meses após sua deposição, o presidente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, teria chegado na capital do país, Tegucigalpa, nesta segunda-feira.

Assessores de Zelaya afirmaram à BBC Brasil que a operação que permitiu sua volta teria sido realizada com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU).

Neste momento, Zelaya estaria na sede da ONU em Tegucigalpa.

O governo interino de Honduras, no entanto, nega que Zelaya esteja no país.

Ainda não foi revelado quais ações Zelaya pretende tomar a partir de agora.

Do lado de fora do prédio, milhares de manifestantes que mantiveram protestos de rua ininterruptos desde o dia 28 de junho, quando Zelaya foi deposto, esperam a aparição do presidente eleito.

"Chamado"

Em entrevista por telefone ao canal estatal venezuelano Telesur, Zelaya disse que voltou a seu país "atendendo a um chamado do povo hondurenho".

O presidente eleito disse que ainda está "fazendo gestões" e que dará início a um diálogo nacional e internacional que permita a volta da institucionalidade no país.

"O propósito (do retorno) é que volte a paz e a tranquilidade depois de 86 dias de resistência desse povo hondurenho", disse.

O líder do governo interino, Roberto Micheletti, no entanto, nega que Zelaya esteja em Honduras e qualificou a notícia do regresso do presidente eleito como um "terrorismo midiático". "É terrorismo", disse a um grupo de jornalistas.

Em transmissão ao vivo pelo canal estatal Telesur, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou a notícia, ao comentar que o hondurenho fez uma viagem de dois dias "por terra" até chegar à capital Tegucigalpa.

Chávez disse que Zelaya viajou "durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios e conseguiu chegar à capital e está em Tegucigalpa".

"Agora veremos o que farão os golpistas, com o povo na rua e com Zelaya em Honduras", disse Chávez, ao pedir "respeito à vida de Zelaya".

Notícias relacionadas