Espanha exclui de concurso universidade israelense da Cisjordânia

Colonos israelenses em assentamento na Cisjordânia
Image caption Colonos israelenses em assentamento na Cisjordânia

O governo da Espanha desqualificou uma universidade israelense de um prestigioso concurso internacional de arquitetura pelo fato de ela estar situada em um assentamento na Cisjordânia.

A Universidade de Judeia e Samaria, localizada no assentamento de Ariel, era uma das finalistas do concurso Decatlo Solar 2010, promovido pelo Ministério da Habitação da Espanha.

De acordo com uma carta enviada pelo diretor do concurso, Sergio Vega, “a decisão foi tomada pelo governo espanhol em consequência de a universidade se encontrar em território ocupado. O governo espanhol está empenhado em seguir as regras elaborados no âmbito da União Europeia e das Nações Unidas sobre essa área geográfica".

O concurso conta com participações de faculdades de arquitetura do mundo inteiro, que enviaram projetos de residências auto-sustentáveis.

A Universidade de Judeia e Samaria chegou à fase final do concurso, junto com outras 19 universidades, depois de dois anos de colaboração com a direção do concurso e de receber uma bolsa de 100 mil euros para elaborar o projeto.

Europa

Esta não é a primeira vez que empreendimentos israelenses localizados em assentamentos na Cisjordânia são boicotados na Europa.

Em julho, o banco franco-belga Dexia anunciou a suspensão de empréstimos a prefeituras de assentamentos, depois que uma campanha na Bélgica, conduzida por 61 organizações locais, exigiu que o banco interrompesse a prática.

O diretor do banco, Jean Luc Dehaene, confirmou que no passado transferiu empréstimos no valor de 5 milhões de euros a diversos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

A multinacional holandesa Unilever anunciou que vai vender suas ações na empresa israelense Beigel & Beigel, instalada no assentamento israelense de Barkan, depois de pressões de grupos holandeses.

'Destrutivos'

Para o Ministério das Relações Exteriores de Israel, as pressões vêm de “organizações pró-palestinas que têm uma agenda destrutiva”.

“É uma pena que as empresas não sejam capazes de enfrentar as pressões e a intimidação de grupos pró-palestinos com uma agenda política, e acabam se curvando a essas pressões”, disse à BBC Brasil o porta-voz do Ministério, Yigal Palmor.

Sobre o boicote à Universidade de Judeia e Samaria, o porta-voz afirmou que “boicotar projetos culturais é exatamente o contrário de promover a paz, e portanto é desnecessário e prejudicial”.

Grande parte das informações sobre o envolvimento de empresas nacionais e internacionais em empreendimentos realizados nos assentamentos é colhida e divulgada pela ONG israelense Who Profits from the Occupation? ("Quem lucra com a ocupação?", em tradução livre), dirigida pela Coalizão de Mulheres pela Paz.

“Somos uma organização feminista que se opõe à ocupação e a considera um fenômeno não apenas político mas também movido por grandes interesses econômicos”, disse a coordenadora do projeto, Dalit Baum, à BBC Brasil.

Segundo ela, as organizadoras do projeto Who Profits começaram a colher dados sobre empresas envolvidas em investimentos em assentamentos há três anos.

Cosméticos

Image caption Ativistas pedem boicote à fabricante de cosméticos Ahava

Segundo o grupo Who Profits, uma das grandes campanhas realizadas ultimamente por grupos feministas na Europa e nos Estados Unidos é a "Stolen Beauty" ("Beleza roubada", em tradução livre), que pede o boicote da fabricante de cosméticos israelense Ahava.

“Os produtos da Ahava utilizam substâncias retiradas do Mar Morto e a empresa se localiza no kibutz Kalia, nos territórios ocupados”, disse Dalit Baum.

“É importante que os consumidores no exterior saibam que essa empresa viola a lei internacional, que proíbe a exploração de riquezas naturais em territórios ocupados”, concluiu.

Mas de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, “a Corte Europeia de Direitos Humanos de Estrasburgo determinou que o chamado ao boicote de produtos de outro país é ilegal”.

Notícias relacionadas