Viagem de Zelaya demorou dias e incluiu diversos países

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa
Image caption Zelaya disse que teve ajuda de 'vários setores', mas não citou quais

"De forma pacífica e voluntária". Assim o presidente deposto Manuel Zelaya definiu em entrevista à BBC seu retorno a Tegucigalpa, minutos depois de chegar à capital hondurenha.

Não foi a primeira vez que Zelaya tentou voltar ao país do qual foi expulso há três meses. Nas duas ocasiões anteriores, ele tornou pública sua estratégia de retorno. Por ar e por terra. Nas duas ocasiões anteriores impediram sua entrada.

Mas na sua terceira tentativa, ele surpreendeu a todos.

"Tive a colaboração de vários setores, mas não posso revelar, para que as pessoas que me ajudaram não sejam prejudicadas", disse Zelaya à BBC Mundo.

"Por mais de 15 horas chegamos a uma estratégia de diferentes formas, de transporte, de comunicação, por estradas, por montanhas, até chegar à capital de Honduras".

No entanto, várias perguntas permanecem. Como ele entrou no país? Como não foi reconhecido nos postos de polícia? Mais importante, que ajuda recebeu de outros governos?

<b>Por ar</b>

De acordo com a imprensa local e internacional, Zelaya poderia ter começado sua operação de retorno no domingo.

Meios de comunicação de El Salvador afirmaram que um avião aterrissou no aeroporto internacional perto da capital, San Salvador.

"O presidente Zelaya não fez qualquer pedido através dos canais formais para aterrissar no país, e tampouco pediu apoio institucional através da chancelaria", explicou em entrevista coletiva o presidente de El Salvador, Mauricio Funes.

Um funcionário do governo salvadorenho deu detalhes ao jornal espanhol <i>El País</i>.

Segundo a fonte, o avião era do governo venezuelano e, a princípio, as autoridades salvadorenhas não permitiram que a aeronave aterrissasse "porque o pedido não estava baseado em qualquer das situações de emergência contempladas pelos convênios internacionais".

Segundo a mesma fonte, o avião - que vinha da Nicarágua - começou as manobras de descida e, depois da aterrissagem, foi multado em US$ 30 mil, como estipula a lei para casos como esses.

No entanto, tanto Funes como a cúpula do partido governista de El Salvador, a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), não apenas sabiam da chegada de Zelaya a El Salvador como havia uma comitiva para recebê-lo.

Tanto dirigentes da FMLN como Funes garantem ignorar, entretanto, como Zelaya fez para cruzar a fronteira.

“Eu também gostaria de saber como entrou em Honduras”, disse o presidente salvadorenho.

<b>Por terra</b>

Seu colega venezuelano, Hugo Chávez, deu mais detalhes da operação.

Durante um discurso na Venezuela, Chávez não só confirmou a notícia de que Zelaya estava em Tegucigalpa, como explicou que "Mel", como ele chama o presidente, viajou "dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida" até chegar na capital hondurenha. O jornal venezuelano <i>El Nacional</i> reproduziu mais revelações do presidente Chávez. "O deposto presidente Manuel Zelaya veio ao seu país 'no porta-malas' de um carro e passou por 20 postos de controle para chegar a Tegucigalpa." "Foi uma operação de engano bem planejada. Zelaya enganou os golpistas no porta-malas de um carro e em um trator", disse Chávez durante uma cerimônia oficial.

<b>Território brasileiro</b>

Em seguida há as declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, que afirmou não saber de antemão que Zelaya bateria às portas da Embaixada brasileira em Tegucigalpa.

“Fomos abordados primeiro por uma deputada e depois por sua esposa (Xiomara Castro), minutos antes de ele entrar na nossa embaixada”, disse Amorim.

Em declarações ao jornal argentino <i>La Nación</i>, Amorim disse entretanto que saudou o presidente deposto hondurenho em sua chegada à representação diplomática brasileira em Honduras.

"Falei pessoalmente com Zelaya e lhe dei as boas vindas ao território brasileiro", disse.

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