Governo interino de Honduras reabre aeroportos

Soldado é observado por hondurenhos em rua de Tegucigalpa na última quarta-feira (AP)
Image caption Governo interino também suspendeu toque de recolher em Honduras

O governo interino de Honduras autorizou nesta quinta-feira a reabertura dos aeroportos do país pela primeira vez desde a última segunda-feira, quando o presidente deposto, Manuel Zelaya, retornou à capital Tegucigalpa.

No primeiro momento, apenas os voos locais estavam autorizados, mas, de acordo com o jornal La Prensa, os voos internacionais foram permitidos já na tarde desta quinta-feira. Algumas companhias aéreas estariam planejando retomar as operações já na manhã de sexta-feira.

A reabertura dos aeroportos coincide com a suspensão, a partir das 6h da manhã desta quinta-feira (9h de Brasília), do toque de recolher que vigorava em todo o país.

Com as medidas, o governo do presidente interino, Roberto Micheletti, esboça um retorno do país à normalidade, depois de três dias de turbulências devido à volta de Zelaya.

A embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado, no entanto, continua cercada por forças hondurenhas.

Em um comunicado divulgado em rede nacional de rádio e televisão na noite de quarta-feira, o governo interino de Honduras pediu que todos os trabalhadores voltem a seus postos nesta quinta-feira e afirmou que o Exército e a polícia garantirão a segurança do país.

O estado de emergência decretado nos últimos dias paralisou quase que completamente o país, causando perdas diárias da ordem de US$ 50 milhões, de acordo com o repórter da BBC Arturo Wallace, que está em Honduras.

Diante das incertezas a respeito da situação do país, milhares de hondurenhos aproveitaram uma outra suspensão do toque de recolher na quarta-feira para fazer compras em supermercados e sacar dinheiro em bancos.

Também nesta quinta-feira, autoridades do governo interino de Honduras confirmaram que pelo menos duas pessoas morreram nos conflitos que se seguiram à volta de Zelaya.

A primeira morte havia sido confirmada na quarta-feira, e uma segunda foi confirmada nesta quinta.

De acordo com o repórter da BBC Andy Gallacher, que está em Tegucigalpa, no entanto, o número de mortos é contestado por Zelaya, que chegou a afirmar que o número de vítimas fatais é muito maior e pode chegar a dez.

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OEA

Em mais uma tentativa de resolver a crise política no país, a Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou que enviará uma missão para Honduras ainda neste final de semana, e determinou o retorno dos embaixadores que haviam se retirado após a deposição de Zelaya em 28 de junho.

“Temos que nos sentar e conversar, nosso objetivo é promover uma mesa de negociações”, disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, em Nova York.

A disposição do governo interino de dialogar com uma comissão da OEA foi anunciada na quarta-feira pelo ministro das Relações Exteriores do regime de facto, Carlos Lopez Contreras.

Além do retorno dos embaixadores dos países de OEA, o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, anunciou o regresso dos embaixadores da União Europeia a Tegucigalpa.

De acordo com o jornal espanhol El País, o regresso dos embaixadores europeus e americanos foi decidido em uma reunião na embaixada da Espanha nas Nações Unidas na noite da última quarta-feira.

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