G20 deve substituir G8 à frente da economia mundial

Lula e Obama
Image caption Lula e Obama participam da cúpula do G20 em Pittsburgh

O Brasil e outras nações emergentes devem colher uma vitória nesta sexta-feira, no encerramento da cúpula do G20, com a ampliação dos poderes do bloco que reúne os países mais ricos do mundo e as principais economias em expansão.

A expansão dos poderes do G20 e o seu status como substituto do G8 (o grupo formado pelas sete maiores economias mundiais mais a Rússia) era uma das bandeiras do Brasil, bem como o das outras nações emergentes, como a China e a Índia.

Pelo acordo, a agremiação de 20 países terá mecanismos para agir como coordenador global de políticas econômicas e permitir que os países-membros fiscalizem os compromissos firmados por cada um.

A iniciativa foi defendida também pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que vinha reivindicando o que chamou de "um reequilíbrio mundial".

Nesta sexta, deverá ser anunciado ainda que G20 se tornará um conselho permanente de cooperação econômica internacional, papel que era tradicionalmente desempenhado pelo G8.

O G8 vai continuar mantendo encontros regulares relativos a temas de segurança internacional que sejam de interesse dos países que constituem o bloco.

Ainda na quinta-feira, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, havia dito que os emergentes já haviam feito avanços a começar, até mesmo, pelo nome da conferência que está sendo realizada em Pittsburgh.

Esta edição do encontro menciona o G20 em seu título, frisou o assessor do Planalto, enquanto que a cúpula anterior do bloco, realizada em Londres, em abril, não fazia menções ao grupo de 20 países.

Garcia havia dito que já ficara claro que ''o G8 não é mais aquela instância que organiza os debates sobre questões financeiras internacionais, houve uma certa transferência para o G20''.

Mas a despeito da vitória na ampliação dos poderes do bloco, as nações emergentes poderão sofrer um revés no acordo final da reunião.

Os países europeus vêm demonstrando resistência à intenção dos países em desenvolvimento de ter sua representatividade ampliada em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 5% ou mais.

A proposta conta também com o apoio dos Estados Unidos, mas teria a oposição da França e da Alemanha, que temem perder o seu poder dentro do FMI.

O esboço inicial do documento final do G20 afirma que há um consenso em elevar as cotas dos emergentes em pelo menos 5%, graças a uma transferência de ''países super-representados para mercados emergentes, dinâmicos e sub-representados, e nações em desenvolvimento na próxima revisão de cotas (do FMI), que será concluída em 2011".

Marco Aurélio Garcia afirmou que "alguns europeus estão introduzindo um outro critério, que tira dos grandes e passa para os pequenos, dos super-representados para os sub-representados, mas não introduz a questão concreta, que é a questão da representação dos emergentes".

O assessor da Presidência disse que há diferença entre as duas posturas.

''A diferença é que você pode tirar, por exemplo, da França, e passar até para um país europeu que esteja sub-representado'', explicou.

Algumas nações, como a Espanha, por exemplo, gostariam que o documento não falasse em ''mercados emergentes dinâmicos e sub-representados'', mas somente em ''mercados dinâmicos e sub-representados'', a fim de que pudesse se valer do mesmo aumento de cotas pleiteado pelos países em desenvolvimento.

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