Volta de Zelaya foi 'irresponsável', diz embaixador dos EUA na OEA

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em Tegucigalpa nesta segunda-feira (AFP)
Image caption Zelaya está abrigado desde 21 de setembro na embaixada do Brasil

O embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, afirmou nesta segunda-feira que a volta a Honduras do presidente deposto do país, Manuel Zelaya, foi “irresponsável e insensata”.

As declarações foram feitas durante uma reunião de emergência da entidade em Washington, convocada para discutir o fato de o governo interino de Honduras ter proibido a entrada de uma delegação da OEA no país no último domingo.

“O retorno do presidente Zelaya a Honduras sem nenhum acordo é irresponsável e insensata e não serve nem aos interesses do povo hondurenho nem àqueles que procuram o restabelecimento da ordem democrática em Honduras”, disse Amselem.

O embaixador americano afirmou, sem citar nomes, que aqueles que facilitaram a volta de Zelaya a Honduras “têm uma responsabilidade especial em prevenir violência e fornecer bem-estar ao povo hondurenho enquanto ele enfrenta outra crise”.

Amselem também disse que Zelaya deve deixar de atuar como “uma estrela de cinema” para “portar-se como um líder” e fazer um chamado pela paz.

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Paz internacional

Apesar das declarações contra a volta do presidente deposto, o embaixador americano também classificou as ameaças do governo interino de Honduras à embaixada brasileira em Tegucigalpa como “deploráveis” e um “insulto à comunidade internacional”.

Ainda durante a reunião, o embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes, afirmou que a situação na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde o dia 21 de setembro, é grave e pode piorar.

Casaes afirmou que o governo brasileiro teme que a crise política em Honduras ameace a estabilidade da região.

“Não há dúvidas de que existem condições para que (a crise) ameace a paz internacional”, disse.

Ainda durante a reunião emergencial da OEA, o secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza, criticou o estado de sítio decretado pelo governo interino de Honduras no último domingo e afirmou que este tipo de medida “vai em direção contrária” ao restabelecimento da normalidade no país.

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Emissoras

Também nesta segunda-feira, forças militares hondurenhas entraram nas instalações da Rádio Globo e da emissora de televisão Canal 36, em Tegucigalpa, e obrigaram as duas empresas a encerrarem suas transmissões.

Tanto a Rádio Globo quanto o Canal 36 são identificados como favoráveis ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está abrigado há uma semana na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

De acordo com um funcionário da Rádio Globo ouvido pela emissora de televisão Telesur, militares entraram na sede da rádio por volta de 5h da manhã desta segunda-feira, horário local (8h, horário de Brasília).

Os equipamentos usados para as transmissões das duas emissoras foram levados pelos policiais.

Ultimato

A crise política em Honduras, que se iniciou com a deposição do presidente eleito, Manuel Zelaya, em 28 de junho, se intensificou com a volta de Zelaya ao país em 21 de setembro.

Desde este dia, o presidente deposto está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que permanece cercada por militares hondurenhos.

No último domingo, o governo interino de Honduras afirmou que a embaixada do Brasil em Tegucigalpa poderá perder seu status diplomático caso o país não cumpra o prazo de dez dias para definir a situação do presidente deposto Manuel Zelaya.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, rejeitou o ultimato.

Em entrevista coletiva concedida em Isla Margarita, na Venezuela, onde participou da 2ª Cúpula América do Sul-África, Lula disse que não aceita ultimato de governo "golpista" e que o Brasil não negocia com quem "usurpou o poder".

Também no domingo, o governo interino decretou estado de sítio por 45 dias no país.

Em uma transmissão por cadeia nacional, o governo anunciou que concedeu às Forças Armadas e à polícia poderes para deter "toda pessoa que pôr em perigo sua própria vida e a dos demais" e para desalojar todas as instituições públicas em que estiverem sendo realizados protestos.

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