Após 4º julgamento, Fujimori é condenado a mais seis anos no Peru

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori durante julgamento nesta quarta-feira (AP)
Image caption Fujimori já havia se declarado culpado dos crimes

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado nesta quarta-feira em Lima a seis anos de prisão por atos de corrupção cometidos quando governava o Peru, entre 1990 e 2000.

A condenação veio no quarto e último julgamento por corrupção enfrentado pelo ex-presidente.

Na sentença desta quarta-feira, Fujimori, de 71 anos, foi considerado culpado de envolvimento em grampos telefônicos e pagamentos de suborno a congressistas e meios de comunicação, entre outros crimes.

Ele foi condenado também a pagar indenizações equivalentes a cerca de R$ 14 milhões ao governo peruano e R$ 1,8 milhão aos jornalistas e políticos que foram alvo dos crimes.

Fujimori prometeu apelas contra a sentença.

Condenações

Na última segunda-feira, o ex-presidente havia se declarado culpado de todos os crimes de que era acusado. Segundo seu porta-voz, Carlos Raffo, no entanto, a confissão foi feita apenas para acelerar o julgamento, que ele considera politicamente motivado.

Segundo o correspondente da BBC no Peru Dan Collyns, analistas creem que Fujimori confessou para não prejudicar a candidatura de sua filha, Keiko, à Presidência do Peru nas eleições de 2011.

Keiko Fujimori já declarou diversas vezes que anistiará seu pai caso seja eleita.

O Ministério Público do Peru havia pedido uma sentença de oito anos de prisão para o ex-presidente.

De acordo com a legislação peruana, a sentença desta quarta-feira será absorvida por outra de 25 anos de prisão a que Fujimori foi condenado no último mês de abril. No Peru, prevalece a maior pena.

Leia também na BBC Brasil: Fujimori é condenado a 25 anos de prisão no Peru

Na ocasião, o ex-presidente foi considerado culpado pela morte de 25 pessoas entre 1991 e 1992, nos chamados massacres de Barrios Altos e La Cantuta.

Em julho deste ano, Fujimori também foi condenado a 7,5 anos de prisão por ter usado ilegalmente US$ 15 milhões em verbas públicas para realizar um pagamento ao seu então chefe do Serviço Secreto, Vladimiro Montesinos.

Leia também na BBC Brasil: Fujimori é condenado a 7,5 anos de prisão por corrupção

Em um julgamento anterior, o ex-presidente já havia sido condenado a seis anos de prisão por abuso de autoridade e usurpação de funções.

A sentença foi relacionada a um caso de invasão ilegal da casa da mulher de Vladimiro Montesinos,

Trinidad Becerra, em 2000.

Fuga para o Japão

Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, depois de enfrentar nas urnas o escritor Mario Vargas Llosa.

No fim dos anos 80, o país sofria com a violência política e com a hiperinflação, herança do primeiro governo do atual presidente, Alan García.

Ameaçado pelos guerrilheiros do Sendero Luminoso e do Túpac Amaru, Fujimori lançou uma ofensiva contra os grupos extremistas.

O esforço desbaratou os grupos, mas também matou cerca de 70 mil pessoas, muitas delas sem relação com os guerrilheiros.

Em 2000, foram descobertos dezenas de vídeos de subornos realizados por Montesinos a políticos e empresários. Diante do escândalo, Fujimori fugiu para o Japão, de onde enviou uma carta de renúncia.

Em 2005, ao viajar ao Chile, foi detido e dois anos depois extraditado ao Peru, onde está preso desde 2007.

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