Lula usa slogan de Obama para defender Rio-2016

Lula, Pelé e atletas
Image caption Lula e Pelé se juntaram a atletas para promover o Rio em Copenhague

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parafraseou o presidente americano, Barack Obama, ao dizer, nesta quinta-feira em Copenhague, que o Rio de Janeiro tem condições de competir com igualdade contra as demais candidatas a sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

"Nós queremos olhar para o mundo e dizer: 'Sim, nós podemos'", disse Lula em uma entrevista coletiva à imprensa internacional, usando o mesmo slogan da campanha presidencial de Obama em 2008. Obama irá a Copenhague para promover Chicago na briga pelas Olimpíadas de 2016.

“Isso dito da boca de um americano é muito bonito. Mas no Brasil nós estamos habituados a dizer: 'Nós não podemos, somos pobres, somos cidadãos inferiores'", brincou Lula.

"O projeto do Brasil é um projeto de superação. E ninguém apresentou um projeto com a magnitude, a qualidade e a consistência que nós apresentamos."

O discurso que o presidente Lula fará durante a apresentação final da candidatura do Rio nesta sexta-feira está sendo visto como um "trunfo" pela comissão brasileira e seu conteúdo está sendo mantido em sigilo.

Derrota

Lula afirmou ainda que não pensa na hipótese de uma derrota do Rio na votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), marcada para a sexta-feira.

"Não vai pesar na minha cabeça um sentimento de injustiça se algum delegado não votar no Rio. Afinal, eu sou amante da democracia e acho que as pessoas têm o direito de gostar ou não de nós."

Lula não comentou se o Brasil voltaria a apresentar uma candidatura para 2020, caso o Rio não seja eleito para sediar os Jogos de 2016. Chicago, Madri e Tóquio são as outras cidades que disputam a Olimpíada de 2016.

O presidente comparou a campanha da candidatura do Rio para os Jogos Olímpicos de 2016 com a sua própria campanha eleitoral à Presidência em 2002.

“Houve um tempo em que o Brasil entrava em uma disputa destas se achando inferior aos outros, da mesma forma que na minha campanha, as pessoas diziam que eu não tinha condições de ganhar as eleições porque o povo brasileiro não estava preparado para votar em um operário que tinha saído da fábrica e ido para o sindicato”, afirmou.

“Nós fomos às ruas para convencer o povo de que ele poderia escolher alguém que apresentasse coisas concretas para melhorar a vida deles, e ganhamos a eleição. E aqui a história se repete”, disse o presidente, voltando a argumentar que o Brasil é hoje o único país entre as dez maiores economias do mundo que nunca sediou uma Olimpíada.

“Eu posso garantir que nenhum país tem hoje tanta certeza sobre o seu futuro quanto o Brasil tem do seu. Os brasileiros têm clareza de que o Brasil vive uma espécie de momento mágico de possibilidade de crescimento, de acerto da sua economia e de melhoria de vida das pessoas mais pobres. E é este Brasil de 2016 que nós queremos mostrar aos delegados do COI e conquistar o votos deles.”

Ainda nesta quinta-feira, Lula mantém encontros fechados com membros do COI em um hotel de Copenhague, fazendo uma pausa apenas para um almoço com a rainha Margareth 2ª.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é esperado na capital dinamarquesa na manhã da sexta-feira, quando fará um discurso durante a apresentação da candidatura de Chicago. O rei Juan Carlos, da Espanha, já está em Copenhague para ajudar a promover Madri, e os primeiros-ministros José Luis Zapatero, da Espanha, e Yukio Hatoyama, do Japão, também são esperados para as apresentações na sexta-feira.

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