FMI propõe aumento de poder para emergentes; Brasil faz críticas

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, durante coletiva neste domingo (AP)
Image caption Strauss-Kahn afirmou que reforma será tarefa difícil

O Comitê Monetário e Financeiro Internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou neste domingo que apoia uma reforma que permita um aumento no poder dos países emergentes na instituição, além de uma mudança na política de cotas que reflita “o peso relativo dos membros do Fundo na economia mundial”.

O apoio às medidas foi anunciado por meio de um comunicado divulgado após o encerramento da 20ª reunião do comitê, em Istambul, Turquia, neste domingo.

A proposta, no entanto, está aquém da defendida pelos países do chamado BRIC, grupo de economias emergentes formado por Brasil, Índia e China.

No comunicado, o Comitê Monetário e Financeiro Internacional afirma que o peso relativo dos membros do Fundo na economia mundial “mudou de maneira substancial graças ao crescimento de mercados emergentes dinâmicos e países em desenvolvimento”.

“Neste contexto, nós apoiamos uma mudança na divisão de cotas para mercados emergentes e países em desenvolvimento de pelo menos 5%, dos países super-representados para os países sub-representados”, diz o documento.

O comitê ainda afirma “estar comprometido” com a proteção dos votos dos membros mais pobres do Fundo e pede que as mudanças na estrutura do órgão sejam feitas até janeiro de 2011.

Críticas

Apesar das modificações propostas, as medidas receberam críticas do ministro da Fazendo, Guido Mantega, que defende uma transferência de 7% das cotas e do poder de voto às economias emergentes como Brasil, China e Índia.

“Assim os mercados emergentes e os países em desenvolvimento poderiam alcançar um poder de voto de 50%, e isto corresponderia mais ou menos ao que representam na economia internacional”, disse o ministro brasileiro.

Leia também na BBC Brasil: BRICs saem do G20 com menos que queriam no FMI, mas Lula comemora

As medidas foram anunciadas apenas uma semana depois de os líderes do G20, reunidos em Pittsburgh, nos Estados Unidos, terem pedido reformas no Fundo.

Segundo o correspondente econômico da BBC, Andrew Walker, no processo de tomada de decisões no FMI, os votos são ponderados, de modo que possam refletir a importância econômica de cada país.

Estes pesos diferentes, segundo Walker, no entanto, são vistos agora como ultrapassados.

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, classificou a decisão como “um grande passo adiante”, mas afirmou que “a tarefa não será fácil”, já que a última revisão de cotas do Fundo “demorou 10 anos para se realizar”.

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