Papa critica materialismo e 'colonialismo'

Papa Bento 16
Image caption O papa criticou o materialismo que estaria sendo exportado do 1º Mundo

O papa Bento 16 afirmou neste domingo que uma forma de "colonialismo político" continua a comprometer o futuro da África.

Na abertura de um sínodo para bispos africanos, o líder da Igreja Católica elogiou o legado espiritual e cultural do continente, que classificou de "pulmão espiritual".

No entanto, nas palavras do pontífice, a África estaria sendo afetada por um "produto de exportação do chamado Primeiro Mundo, o lixo tóxico espiritual" do materialismo.

"Neste contexto, o colonialismo político nunca acabou", disse o papa.

Ele acrescentou que a África também vem sendo vítima de fundamentalistas religiosos, que se apresentam na forma de grupos que dizem "atuar em nome de Deus", mas "ensinam intolerância e violência".

O papa afirmou que pretende participar de quantas sessões de trabalho do sínodo for possível, diante dos outros compromissos dele.

Popularização na África

Quase 200 bispos de 53 países africanos estão reunidos em Roma para discutir de que forma a Igreja pode ajudar a combater as desigualdades sociais e as guerras do continente.

Em seu discurso, o pontífice católico disse ainda que a África necessita "urgentemente" de evangelização, embora a religião católica esteja crescendo mais rapidamente no continente do que em qualquer outro lugar domundo.

Nos últimos 30 anos, o número de fieis africanos praticamente triplicou, chegando a 150 milhões de pessoas.

O encontro de bispos foi aberto por corais de países como República Democrática do Congo, que se apresentaram em línguas e ritmos raramente ouvidos na Basílica de São Pedro, em Roma.

Este é o segundo sínodo convocado pelo Vaticano para discutir os problemas da África.

O primeiro aconteceu em 1994, quando em Ruanda começava o genocídio, mas segundo analistas, resultou em pouco mais do que palavras.

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