Brasil melhora em índice de desenvolvimento humano, mas ainda é 75º

Imigrantes
Image caption Relatório destaca importância da migração para desenvolvimento humano

O Brasil registrou uma ligeira melhora no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado nesta segunda-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O IDH brasileiro subiu levemente, de 0,808 para 0,813, mas o país ficou apenas na 75ª posição no ranking de 182 países avaliados pelo IDH, com a inclusão de Andorra e Liechtenstein pela primeira vez, e a volta do Afeganistão, que havia saído do índice em 1996.

No ano passado, apesar de registrar um índice pior (0,807), o Brasil ocupava a 70ª posição no ranking do Pnud. Após uma revisão no índice, o país passou a ser o 75º (com IDH de 0,808). Agora, com os novos números, o Brasil manteve a posição e permaneceu no grupo dos países com alto desenvolvimento humano (com IDH acima de 0,800).

O IDH, que varia entre 0 e 1, avalia as conquistas de um país com base na expectativa de vida, acesso à educação e padrão de vida, medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) per capita.

A Noruega continuou no topo da lista, seguida pela Austrália e Islândia. Serra Leoa, Afeganistão e Níger são os três últimos e apresentam os piores índices de desenvolvimento humano.

A China foi o país que registrou o maior aumento, subindo sete posições, seguida pela Colômbia e pelo Peru, que melhoraram cinco posições no ranking.

Migração

O relatório, que analisa dados de 2007, não reflete ainda os efeitos da crise econômica global, que deverá ter impactos dramáticos no desenvolvimento humano, segundo o Pnud.

No relatório deste ano, intitulado Superando Barreiras: Mobilidade Humana e Desenvolvimento, o órgão defende a migração com uma ferramenta altamente eficaz para melhorar a renda, educação e futuro das pessoas em um mundo extremamente desigual.

Segundo o documento, a maior parte da movimentação ocorre não de um país para outro, mas internamente.

“Usando definições conservadoras, nós estimamos que cerca de 740 milhões de pessoas sejam migrantes internos, quase quatro vezes o número das que se movimentam internacionalmente”, diz o relatório.

Entre as 200 milhões de pessoas que se mudam para outros países, a maioria troca um país em desenvolvimento por outro, ou transita entre nações desenvolvidas. Apenas cerca de um terço se muda de uma nação em desenvolvimento para um país rico.

Barreiras

O Pnud ressalta ainda as barreiras que existem para a movimentação de migrantes – principalmente os com baixas qualificações profissionais. Essas barreiras seriam responsáveis por manter estável em 3% nos últimos 50 anos a proporção de migrantes no mundo, apesar de fatores que poderiam ter aumentado esse número.

Tendências demográficas, como o envelhecimento da população em países desenvolvidos e um crescimento do número de jovens nas nações emergentes, além de novas oportunidades de emprego e barateamento das comunicações e transportes deveriam aumentar a migração, segundo o relatório.

Entretanto, as pessoas que desejam emigrar enfrentam cada vez mais barreiras impostas por governos.

Segundo o Pnud, 50 milhões de pessoas estão vivendo e trabalhando ilegalmente em outro país.

O documento propõe uma série de reformas para maximizar os impactos da migração no desenvolvimento humano, entre elas liberalizar os canais que permitem que pessoas com poucas habilidades trabalhem fora, garantir os direitos básicos dos migrantes e reduzir os custos associados à migração.

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