Queda do dólar reforça 'clamor' por outras moedas, diz jornal

Dólares
Image caption A moeda americana encerrou o dia cotado a R$ 1,752

Jornais estrangeiros destacam nesta quarta-feira a acentuada queda do dólar nesta semana e, na mão oposta, a valorização de moedas de países emergentes, como o Brasil, que se tornam cada vez mais atraentes para os investidores.

O jornal americano <i>The Washington Post</i> observa que a depreciação da moeda americana "reforça o clamor" para a utilização de outras moedas no sistema de reservas internacionais.

Em meio à abundância de liquidez da moeda, resultado da política monetária anticrise do Banco Central dos EUA, e desequilíbrios nas contas nacionais daquele país, o dólar está "sob ataque externo", afirma a reportagem.

"Além disso, as grandes economias emergentes – como China, Rússia, Brasil e Índia – estão cansadas de reverenciar o dinheiro americano e percebem uma oportunidade de tirar o enfraquecido dólar de sua posição imperial."

As especulações sobre o futuro do dólar e a maior atratividade de moedas de outros países vêm à tona um dia depois de a moeda americana recuar nos mercados internacionais. No Brasil, a cotação chegou a R$ 1,75 – a menor em mais de um ano.

<b>Fim da supremacia</b>

Como pano de fundo deste fenômeno está uma discussão em torno do que o diário britânico <i>The Independent</i> definiu como "temores de que a velha ordem econômica baseada na supremacia do dólar americano esteja se desfazendo".

Na terça-feira, uma reportagem publicada pelo jornal noticiava um plano de países do Golfo Árabe e outras economias importantes, como França, Japão, China, Rússia e mesmo o Brasil, de substituir o dólar nas transações de petróleo.

A notícia das negociações, em caráter secreto – razão pela qual o francês <i>La Tribune</i> fala de uma "conspiração internacional contra o dólar" – levaram investidores a correr para commodities, em especial para o ouro, cujo valor bateu um recorde histórico ao ser negociado em Londres.

Entretanto, em alguns jornais, os rumores contra o dólar foram encarados com mais parcimônia. O britânico <i>The Guardian</i> observou que uma substituição da moeda americana se daria de forma gradual, inclusive porque muitos países que defendem essa troca possuem centenas de bilhões em reservas nessa moeda.

No chinês <i>South China Morning Post</i>, uma reportagem afirma que as especulações sobre o "plano secreto" contra o dólar "não tem sentido". O jornal lembra que há diversas negociações para eliminar o dólar das relações bilaterais entre determinados países – como na relação China-Brasil, por exemplo –, mas que na maioria dos casos os planos ainda são incipientes e o avanço é pouco.