Físico francês é acusado de suposta ligação com Al-Qaeda

Image caption A Cern é o maior laboratório europeu para o estudo de física subatômica

A Justiça da França acusou preliminarmente, nesta segunda-feira, um físico da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), por associação com um grupo extremista.

O pesquisador, de 32 anos, que não foi identificado, foi preso na última quinta-feira por suspeitas de ligação com a rede extremista Al-Qaeda ao lado do irmão, de 25 anos. Nesta segunda-feira, a Justiça acusou o físico de “associação criminosa com um grupo terrorista”. O irmão foi solto sem acusações.

Segundo as autoridades,o pesquisador seria descendente de argelinos e estava em contato com organizações ligadas à Al-Qaeda do norte da África e que planejava ataques em solo francês.

No dia da detenção, o ministro do Interior da França, Brice Hotefeux, disse que a Justiça “sem dúvida estabeleceria quais seriam os alvos do ataque na França ou em outros países e talvez indicaria que o governo evitou o pior”.

Com a decisão judicial, o pesquisador passará por uma investigação jurídica formal e mais tarde será anunciado se ele será mantido sob custódia até o julgamento.

Ele trabalhava no Grande Colisor de Hádrobs (LHC), criado para reconstruir as condições existentes logo após o Big Bang.

Ligações

Logo após a detenção do pesquisador, o Cern anunciou que o acusado não "entrou em contato com nada que pudesse ser usado para terrorismo".

"Ele não era um empregado da Cern e fazia sua pesquisa como contratado de um instituto externo”, disse um comunicado da organização, que afirmou estar ajudando a polícia nas investigações.

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Organização James Gillies disse que o pesquisador não apareceu no local de trabalho a maior parte desse ano porque estava doente, mas que ele mantinha contato via e-mail.

Na detenção, foram confiscados dois computadores, três discos rígidos e vários pen drives que estavam na casa dos irmãos.

A Al-Qaeda no norte da África emergiu em 2007 quando a organização militante argelina Grupo Salafista para Oração e Combate anunciou que estava se alinhando à rede de Osama Bin Laden.

O grupo assumiu a responsabilidade por um ataque suicida na embaixada francesa na Mauritânia em agosto que feriu três pessoas.

A Cern, uma organização civil apoiada por governos de 20 países, é o maior laboratório europeu para o estudo de física subatômica. Ele fica na fronteira entre França e Suíça.

Notícias relacionadas